terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ladrões grandes e ladrões pequenos

Nestas épocas em que se descobre muita corrupção nos governos, quase todo bom brasileiro critica esses atos e grita na frente da TV ou ao ler o jornal: “Fora, ladrões!” Mas será que todos fazem sua parte? Será que nos comportamos dignamente perante o nosso chefe?, ou na primeira oportunidade também “misturamos os dinheiros?”.

O roubo praticado pelo governo ou pelo cidadão tem o mesmo peso no caráter. Parece óbvio, mas é preciso ser dito: o que separa o grande ladrão do pequeno é a chance e o montante que gira em cada mão. Quem lida com pouco, rouba pouco, quem lida com mais, rouba mais. Parabéns a você que não se inclui em nenhuma das opções.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Música ou assassinato?

Podem me chamar de nojento, mas ouço nativas, gaúchas e até bandinha, mas não engulo porcarias que só fazem apologia à bebida, à vagabundagem. Certo dia ouvi essa coisa numa rádio e fiquei mais furioso ainda ao saber que os cantores eram Fernando e Sorocaba. Compreendi o porquê de existir centenas de CDs deles pela cidade sem ninguém querendo rodar. Um resquício do malfadado show que iriam fazer em Santiago. Do que nós escapamos! E ainda dizem que os caras são os melhores do momento. Que momento!

“É que hoje é um dia especial, é dia 10 e o que é que aconteceu? Papai recebeu, papai recebeu. Eu tô patrão, hoje eu tô pagando tudo, avisa que o after vai ser no apartamento superluxo. Ainda falta muito pra eu ficar ‘bebo’, ainda falta muito pra eu ficar louco, Ahh! Uma noite pra mim é pouco...”

Depois que quebrei o rádio, liguei numa dessas emissoras pela internet e que só rodam coisas buenas, coisas nativas, gaúchas, como a Rádio Saudade. E não é que engataram uma meia-dúzia de Os Mateadores, a maioria na voz do meu irmão Édson Vargas? Não me sofri e liguei pra ele e sampei: “Você, o Miguel Marques, o Júlio Saldanha e o Nenito são nossos maiores expoentes nativos, uma arte que o Brasil não conhece como deveria. Sou feliz por vocês, sou feliz por Santiago e pela minha gente que sabe fazer cultura, que sabe fazer música”.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Conscientização x comportamento



(João Lemes - jornalista - Santiago, RS) 
Dizem que comportamento não tem nada a ver com inteligência. A pessoa pode ser doutora numa coisa e nota zero noutra.
Exemplo: Ela pode ler 50 placas para não jogar lixo e para não andar com seu cusco na praia, mas ela sempre dá um jeitinho. No fundo acredita que as regras não foram feitas para ela...
Na praia. As mais madames, os mais endinheirados, (aparentemente com mais inteligência e educação) são os primeiros a quebrarem essas regras. Lá estavam com seus cães ou andando de bicicleta na calçada tendo via de ciclista ao lado...
Já o fumante parece ser relaxado por devoção. O "prazer" é tanto que ele nem liga se os outros ou a natureza vai se incomodar com a fumaça e suas bitucas.
E o que se deve fazer em relação a isso? Infelizmente só tem um caminho: seguirmos com a bendita conscientização, isso se o cigarro já não matou esse senso na cabeça de alguns...
Hoje destaco esta frase que vi na calçada à beira-mar em Torres. Se ela tocar 5% dos que leram, já seria um grande progresso. "São milhares de bitucas dos molhes à praia; o lucro é da Souza e a cruz é de toda a vida marinha."

Ah, se os jovens vissem isso!

(J.Lemes)
Ao ver essa simpática senhora de quase 80 anos na praia de Torres fui logo indagando sua idade, seu ritmo de vida. Pra não amolar muito, comprei as roscas e agradeci. Ela de pronto lascou esta: "Não vai me perguntar mais nada? Sabia que durmo bem, como bem, não tomo remédio e ando o dia todo vendendo roscas? E ao fim do dia quando me perguntam se vou pra casa descansar, digo que agora é que vou trabalhar! Sim! Vou fazer mais uma fornada. Até agora eu só tava descansando".

Só me restou perguntar de onde vinha essa energia toda. Aí ela disse: "A vida é ótima e a cada dia tenho mais força pra viver. Do meu tralho tiro a alegria e das pessoas, o incentivo. Ah!, e não esqueço meu aperitivo".
Na foto, dona Imelda Ros e João Lemes.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Férias de quem?

Esta palavra nunca esteve tão em alta: férias. Ricos, remediados ou pobres, todos dão um jeito de dar uma fugida. O engraçado é que as diferenças nas férias de uns e de outros (dentro dessas classes) são conhecidas. Os mais pobres costumam dizer: “Não aguento mais este trabalho. Quero um mês inteiro de férias. Se bem que eu merecia até mais”...

O remediado diz que vai sair por quasse um mês, que volta logo por causa dos negócios, afinal, hoje ele é um quase “bem de vida”. Tem que curtir as férias, mas não deixa de dizer que pensa na empresa, no trabalho que é de onde tirou tudo o que tem...

O rico fala sempre a mesma coisa. Diz que vai se desligar, mas na verdade é o que mais pensa na empresa, no trabalho... só não revela isso na cara dura, limitando-se apenas a dizer “Vou tirar só uns dias”...

Todos querem viajar, apenas o rico vai longe. O remediado arrisca sair do Estado e o pobre até viaja (ele faz economia pra isso e talvez seja o que mais se alegre com esse “sonho”), entretanto, ele vai bem pertinho de sua cidade ou até na casa daquele parente que não viajou... Mas isso também é férias!, ora...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

9 mil litros:
O custo em água para
se produzir um bife

(por João Lemes - jornalista)
Tudo se resume em água. Podemos viver sem petróleo, aguentamos longe sem comida, mas sem água não dá. E o gasto é enorme, o cuidado é pouco. Reparem quanto custa em litros d’água alguns pratos desde a produção até chegar a nossa mesa: um pãozinho consome 65 litros, uma xícara de café, 120; uma porção de batata frita, 100; um ovo, 165; uma porção de arroz, 350 e um bife, para se ter um bife apenas se gasta 9 mil litros. Sim, o boi é um grande bebedor de água.

A melhor água
do mundo

Em Santiago temos a melhor água do mundo para a gente colocar (de 8 a 12 litros) no vaso sanitário pra eliminarmos um simples xixi. E mais: passamos sentados, bebendo e fumando ou dirigindo em alta velocidade, tomando remédio sem receita, comendo carne gorda... ah, mas na hora de bebermos água, só queremos mineral, como se a da Corsan não fosse a melhor. Mas já que exigimos água com tanta qualidade, vamos exigir uma natureza melhor cuidada e uma cidade com menos desperdício. Exigir de verdade, exigir de todos, principalmente de nós.