terça-feira, 21 de julho de 2009

20 anos de Jornalismo

Escola Nossa Senhora de Fátima (Panambi) onde estudei.

Reencontrando a civilização
(Mocinho aventureiro)

Finalmente chegou o dia em que o tio Valdomiro anunciou nossa saída de lá. Iríamos deixar o Capão do Cipó e ir para Condor. Ele deixaria a agricultura, as colheitas de feijão, de milho. Deixaria até a madrinha Carlota, que deveria ter algum parentesco naquelas bandas. Meu tio veio para cidade para tentar outros rumos na vida e para ficar mais perto de um colégio para que eu pudesse aprender algo. Para burro, bastava ele! Dizia.

Nunca pensei que poderia ficar feliz diante de uma situação clara de êxodo rural. Que felicidade! Aos 8 anos, eu iria entrar no colégio. No Grupo Escolar da Sede. Caderno, lápis, borracha e um tapa-pó branco, imaginem! Fora a merenda, uma parte inesquecível. O bom mesmo foi quando soube que a tia Otelina havia encomendado ao tio um rádio Philips. Ainda recordo das propagandas. O remédio Colomentim tinha até uma musiquinha.

Comecei a ouvir Teixeirinha, Gildo de Freitas, José Mendes, Lourenço e Lourival, Tonico e Tinoco, Roberto Carlos, meu grande ídolo. Decorava tudo. Tudo, tudo! A primeira canção que aprendi foi Mocinho Aventureiro, de Teixeirinha. Que ironia do destino, não? Era mocinho ainda me lembo/18 anos completei/ Eu resolvi sair de casa/clareava o dia eu me aprontei ... Me concedi o direito de dizer que eu seria um cantor. E sou! Meu único fã é meu filho caçula, o João Henrique, mas sua torcida se multiplica por um estádio inteiro.

E a escola lá em Condor! No primeiro dia de aula, uma tunda. É que, na chegada em casa, pulei numa carroça junto com os colegas e depois arrastei o sapato novo na terra. Meu tio não deu moleza. E com razão, diga-se de passagem. No 2° dia de aula, mais uma tunda. Caí e deixei meu tapa-pó todinho verde de grama. Desta vez, a incumbência de me “bater o brim” foi da tia Otelina. Também foi bem feito, pensei em seguida, com raiva de mim mesmo.

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