quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A Rádio Gaúcha e as antíteses

(João Lemes) - Não é querer ser melhor que ninguém, apenas quero ajudar (e praticar) a boa linguagem. Entenda-se por boa linguagem aquela que todos entendem. Todos, não uma minoria.

Hoje ouvi um jornalista da Rádio Gaúcha dizendo que a Justiça interditou o presídio de Canoas, uma “antítese” do que foi planejado. Aposto que mais da metade do povo gaúcho não saiba o que é “antítese”. Custava dizer que foi o oposto, o contrário do planejado? Seria bom deixar o exercício de eruditismo para artigos ou outro tipo de público.

Outro dia também ouvi um policial dizendo que “os animais foram a óbito”. E eu aqui, morrendo aos poucos com isso tudo, com tantas "antíteses" do linguajar simples, prático e moderno.

Antítese - do grego. Significa “oposto à criação". É uma figura de linguagem que demonstra ideias opostas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Livros: o nosso orgulho

O orgulho é um pecado capital. Mas quem não se orgulha de alguma coisa, que atire uma pedra. Eu tenho orgulho pela família, pelos amigos, pela minha profissão e até pelo meu cachorro. Logo, esse orgulho não deve ser pecado. Ele confunde-se com um sentimento de conquista ou algo que o valha. Acredito que o orgulho pecaminoso seja aquele sentimento perverso de ter ou de ser mais e melhor que os outros.

Voltando ao “orgulho bom”, lhes digo que tenho muito orgulho de ter lido centenas de revistas em quadrinhos e livros. Foi assim que “me descobri” jornalista. Atuei por 20 anos em vários jornais só com a sétima série escolar. Graças aos quadrinhos e livros, viajei o mundo, conheci lugares, aprendi até um pouco de filosofia - olha só! Hoje me considero rico, pois tenho facilidade com as letras, consigo passar minhas ideias. Sei que isso é difícil para a maioria. Para mim é fácil, eu li desde criança...

Não está provado que se aprende só com a leitura, porém ninguém nega que ela é o passo mais importante. Então, quero ver todos na 19ª Feira do Livro, porque, apesar dos avanços da tecnologia, o conhecimento sempre será a maior riqueza da humanidade, a leitura sempre será o modo mais fácil de chegar até ele e os livros sempre serão nosso orgulho.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

sábado, 28 de outubro de 2017

Malditas siglas

É incrível o prazer que as pessoas têm pelas siglas, não as partidárias. Falo das siglas que dão nomes a várias instituições. Começa pelos governos, pelos políticos e os repórteres se encarregam de perpetuar. E pobre do leitor ou ouvinte que tem que aguentar uma salada, um emaranhado de letras que poucos entendem. Quer ver? Você sabe dizer o que representam todas essas siglas? Não olhe a resposta no final, apenas tente lembrar a que correspondem. PGR, PRF, TJD, STJ, MP, AGU, TJ, DF, JN, DP,  ATL, BO.

Agora, invertendo a situação, certas nomenclaturas são mais compreensíveis se forem ditas apenas pelas siglas. Exemplo; INSS, FGTS, AIDS, IBGE... que significam Instituto Nacional do Seguro Social, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, Acquired Immune Deficiency Syndrome (Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Resposta
PGR - Procuradoria-Geral da República, PRF - Polícia Rodoviária Federal, TJD  - Tribunal de Justiça Desportiva, STJ - Supremo Tribunal de Justiça, MP - Ministério Público, AGU - Advocacia Geral da União, TJ - Tribunal de Justiça, DF - Distrito Federal, JN - Jornal Nacional, DP - Delegacia de Polícia, ATL - Atlântida, BO - Boletim de Ocorrência.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ontem eu era um cidadão, agora sou bandido

Ontem falei de uma casa que foi arrombada em Santiago. Dela levaram joias e as armas que eram para a defesa do cidadão de bem. Em São Vicente amarram o pessoal e levaram revólver, espingarda e a munição do cidadão de bem. 

Ontem em Porto Alegre, um trabalhador, pai de família, arrumava os fios de luz para a CEEE e colocou o caminhão frente a uma garagem de um cidadão de bem. Ao tentar sair, o cidadão de bem discutiu com o operário, voltou em casa, pegou sua arma de cidadão de bem e virou bandido; matou o trabalhador com um tiro no peito.

É como eu digo, nós, o cidadão de bem, somos os bons. O mal está nos outros. Nós podemos ter arma, nunca vamos matar alguém, a não ser o bandido. Portanto, fico muito triste quando alguém repete a frase: "eu sou cidadão de bem".

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Maldade, violência e alegria

Qual é a graça em se trancar num ginásio e assistir a uma luta de MMA de dois sujeitos batendo um no rosto do outro até sair sangue? Como diz o sábio Leandro Karnal: é uma “briga paga”. A única explicação para essa nossa estupidez está na filosofia: esses atos contemplam a maldade que cada um de nós tem dentro de si. Desse modo, na hora da briga, assumimos mentalmente a posição de um dos brigadores, de preferência o mais forte. A cada golpe, saboreamos uma estranha alegria. Uma alegria que só o bicho homem é capaz de sentir.

Obs. antes que alguém descarregue sua fúria em mim, dizendo que isso é apenas “esporte”, digo que isso é, para mim, um exercício da mais pura violência. 

sábado, 14 de outubro de 2017

O negócio são os milagres...

É incrível o avanço das igrejas, o que seria bom em 100%, caso não fossem os "milagres". O jornal "Show da Fé", por exemplo, traz relatos de curas de dar inveja à medicina. É paralítico curado, cego enxergando, dores que sumiram e gente que parou de tomar dezenas de remédios. Como se vê, hoje não se fala apenas em um lugar no paraíso. O negócio são os milagres... O problema é quando um desses fiéis abandona o médico, os remédios e acaba chegando ao céu antes da hora.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O roubo nos mercados e os macacos pitocos

O Expresso publicou matéria sobre os roubos aos mercados, mostrando que nem só o pobre é adepto dessa prática. Como se vê, a vontade de meter a mão no alheio está no DNA de muitos, de pessoas ligadas a várias profissões, algumas, bem elevadas. A reportagem teve acesso aos vídeos e viu o cara-durismo deles passando as unhas em tudo, desde creme dental e xampu a uísque, vinhos, chocolate e outros itens mais caros, dando um prejuízo enorme aos empresários.

E há curiosidades; uma senhora bem conhecida, por exemplo, foi flagrada com uma linguiça calabresa escondida sob o casaco. Mais interessante ainda é saber que muitos dos que foram pegos são daqueles tipos que gostam de se meter em tudo, que adoram consertar o mundo, que adoram dar exemplos e posar de bons moços e boas moças. Gente que adora ir para as redes sociais dizer que o trabalho dos outros não vale nada e que ninguém presta. Mas ée bem como diz o ditado, os macacos não conseguem ver seus próprios rabos. Até parece que são pitocos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O país do Pila

O novo país do sul tem até nome para sua moeda: O PILA. Báh, se for assim começamos bem. Pilla era o sobrenome de um político que comprava voto. Reza a lenda que o famoso Raul Pilla entregava o santinho já com uns "pilas" para o eleitor. E acreditem! Pilla foi um médico, jornalista, professor e político brasileiro, e um dos maiores defensores da adoção do regime parlamentarista.

Só no Brasil

Amigos; já notaram que ninguém mais diz a hora dos eventos, dos encontros, dos compromissos, das reuniões? Tudo é "a partir de". Até para uma lei que vai entrar em vigor dizem: "Esta lei entrará em vigor a partir do dia 5." Ora, isso é um pleonasmo enorme! Se entra em vigor dia cinco, é dia cinco e deu! Está aí mais uma coisa que só acontece no Brasil!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Meu cálice

Um dia, quem sabe, eu ainda possa tomar um gole do mais puro vinho ao teu lado e sentir o sabor de tua presença encantadora. Talvez, nesse dia, a minha cama seja teus braços e o meu cálice a tua boca.

Eu sou só eu

Tentei ser revolucionário, virei um brigão. Tentei ser crítico, virei chato. Tentei ser realista, virei pessimista. Tentei ser sincero, fiquei grosseiro. Tentei ser inteligente, virei esperto. Tentei ser humilde, virei ingênuo. Tentei ser educado, virei subserviente. Tentei ser alegre, virei tolo. Tentei tanta coisa que esqueci de ser eu mesmo. Agora descobri que o bom da vida está na arte de saber medir nossos desejos e impulsos. Portanto, hoje não sou o que querem que eu seja, tento ser apenas eu.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Será que a vida é uma obrigação?

(por João Lemes) Mark (41 anos) reuniu familiares e amigos. Sua vizinha preparou uma sopa e todos comeram. Horas depois, Mark se despediu dos presentes. Então, o médico lhe injetou uma substância letal que o levou para sempre.

Esse caso levantou polêmica porque Mark não era doente terminal para ter direito à eutanásia (lei na Holanda), tampouco tinha demência aguda. No entanto, seu médico considerou que seu sofrimento e sua dependência de álcool eram insuperáveis. Era divorciado, tinha dois filhos pequenos e uma longa história de entradas e saídas de clínicas de desintoxicação.

Em 2016, mais de 4% das mortes na Holanda aconteceram por eutanásia, quase todas praticadas pelo médico. Como se vê, nesse país a morte não é uma obrigação graças a essa lei. Agora, caso ela tenha sido mal-aplicada, a pena é pode chegar a 12 anos de prisão.
(Santiago) 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O abodrão e os abobrões

Santiago - O senhor Pedro Bassin (PSDB) foi um vereador como poucos. Uma pessoa coerente, atencioso aos problemas locais, político quando tinha que ser... Um desperdício não ter sido reeleito. Perdemos um bom legislador. Mas é a vida. Às vezes tiramos uma pessoa boa e colocamos no lugar um baita abobrão. Gente que pensa que votar contra por ser do contra é vantagem.  Gente que não percebe que o voto contra tem grande valia quando a pessoa tem convicção do que faz.
Mas deixa estar que numa dessas agente acerta.

Mural de exposição

(João Lemes)* Todos os dias há gente dando sua opinião pensando ser ela a coisa mais importante do mundo. Sem problemas quanto a isso, o problema é quando alguns despertam o dom de se transformar na rede dizendo coisas que não diriam nem a um cachorro. Já outros esbravejam porque ninguém quer lhes levar pela mão até um emprego. Só que tem uma: ao dizer coisas bem a seu modo, não se dão conta de que a rede é um mural público. Assim, muitos perdem grandes chances de arrumar emprego. Ou pensam que os futuros patrões não estão vendo quem somos apenas pelas palavras? Ao nos “revelar” na rede, não esqueçamos que há uma vida bem real fora dela e uma sociedade que teve acesso a tudo, a qual precisamos encarar.
*Jornalista e professor - Santiago - RS 

domingo, 24 de setembro de 2017

No dia em que morri

(por João Lemes)  Costumo dizer que a única coisa certa na vida é a morte. Tudo que nasce, morre. Tudo que morreu, nasceu. E se é tão natural, por que tememos tanto essa hora fatídica? Simples: somos da natureza e, por isso, apegados à vida, programados apenas para viver.

Alguns dizem que não temem a morte, temem a passagem. Eis uma obviedade, assim como o desejo da maioria de morrer dormindo. Aliás, quando alguém morre assim, a família deveria era festejar por aquela pessoa que não sofreu.

Em outros países, como a Holanda, quando a pessoa está muito mal, desenganada, lhe é permitida a eutanásia (ajuda para morrer), lei que deveria existir no Brasil. Afinal, se não somos donos nem do nosso corpo, somos donos de quê? Muitas vezes, devido ao egoísmo da família, um vivente fica por meses, anos vegetando.

A essa altura já sei que o leitor está aflito, não com o que falei, mas com o bendito título deste artigo. Bom, é que tive uma experiência e provei (pra mim mesmo) que a morte é o nada, assim como era antes de nascermos. É como um sono eterno, porém, sem sonho. Como foi no dia em que tiraram essa minha foto.

Eu estava em Santa Catarina. No final da tarde, cansado da água do mar, sentei-me num sofá em pleno movimento do hotel e adormeci. Passou-se um tempo, talvez uns 40 minutos em que não vi nada. Ao acordar, minha filha estava ao meu lado a exibir uma foto. Assim que a vi (a foto), tive uma sensação jamais sentida; parecia que eu estava no além, ou sei lá onde. O tempo transcorrido não existiu. Poderia nunca mais ter acordado, que nada mudaria, pois estaria, de fato, morto.

Claro que isso foi só uma experiência, um ensaio da vida que segue e que nos permite pensar, falar, sonhar, agir; provar que estamos bem vivos.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Macheza, falta de educação ou sem-vergonhice?

Não é de hoje que vejo militar do Exército cantando de galo para cima das pessoas. Alguns não gostam de regras. E se tiver que obedecer a um brigadiano, piorou. Em Santiago teve militar puxando revólver para uma servidora pública porque sua esposa fora transferida (arma é para isso?) E acreditem: o caso foi abafado.

Agora foi lá em Rosário; a Brigada deu ordens a uns baguais a cavalo e deu no que deu. Houve tumulto, tiros de arma de borracha, gente presa... Uma vergonha! E esses são os mesmos que querem pregar moral aos filhos e nos CTGs. É bom dizer a essa gente alvorotada que macho para ser mais macho que o outro, só que seja aleijado dos órgãos genitais.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Traje feio

Ilustração
Esta história se passou comigo quando eu era criança e morava com minha tia malvada, lá em Panambi. 

No colégio das freiras tudo era no “prafrentex”, como se dizia por lá. Uniforme marrom, camisa branca. Nem precisa dizer que minhas vestes eram as mais feias. Claro, sempre compradas em liquidação ou mandadas fazer em costureiras chambonas. E quando levei para casa a lista do uniforme para a Educação Física, então...

Depois de lamentar o gasto, a tia foi ao “comércio” comprar. Andou à tarde toda e apareceu, finalmente, com o solicitado pela escola: calção branco, meia branca, tênis branco, tudo branco. Até a camiseta.

Ela chegou e pôs-se a destrinchar os pacotes. Já se via, pela sua cara, que coisa boa não era. Quando que a tia iria comprar algo de marca? Só quando o galo criasse dente, como diria meu tio.

Assim que desembrulhou tudo, a tia ordenou que eu vestisse o uniforme. Fiquei com vergonha de mim mesmo. Imagine quando os outros me vissem na escola. O calção eu chamaria de guarda-chuva ou para-quedas. Armado, bem armado! Para variar, ela havia comprado um número bem acima do meu, devido à bendita liquidação. Ainda por cima, era amarelado, encardido mesmo. E os “guides”, como eram conhecidos os tênis: uns dois ou três números acima do meu, tudo pelo mesmo motivo do calção; liquidação! Aquilo ficou um perfeito par de jundiás nos meus pés, com uns centímetros de sobra. Quando vesti todas as peças, a tia me gritou:

- Sai do quarto, guri. Quero ver o “trajo” de física, se ficou bom!
Saí de mansinho, com a cara de quem comeu e não gostou, mas era preciso achar bem bom, senão, tome bronca.
A tia só olhou para mim - aquela criaturinha de pernas e canelas finas - embaixo daquele calção, socada naqueles tênis horrorosos e exclamou:
-Bem que “esses coléjo pudium mudá um poco as ropa das criança, escoiendo arguma cosa mió”.
E arrematou:
-Que “trajo” bem feio de física!

domingo, 10 de setembro de 2017

Meu pequeno paraíso

Certa vez o jornalista e escritor Olavo Bilac recebeu um pedido de um amigo para redigir um texto da venda de um sítio. Bilac então descreveu o sítio enumerando suas belezas naturais. O texto ficou tão bom, mas tão bom que té o dono passou a gostar da propriedade e nunca mais falou em vendê-la. Assim pode ser nossa casa, talvez não tão bela aos olhos dos outros, porém um paraíso ao nosso olhar...

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O socialismo de Gramsci não deu certo

(J.Lemes)*
Muitos hoje começam a discutir se alguém entendeu os ensinamentos do filósofo italiano Antonio Gramsci, já que a esquerda latina não deu certo. O socialismo não deu certo. O PT e tantos outros não deram certo, apesar das boas intenções.

Esse pessoal pensou e ainda pensa, pelas linhas marxistas que inspiraram Gramsci, que todo o sistema capitalista deveria ser demonizado, sejam os fazendeiros, os latifundiários ou empregadores, esses exploradores de mão-de-obra, depredadores da natureza.

E mais: nesse pensar, os banqueiros viraram especuladores; a imprensa foi vendida aos poderosos. Só os partidos e seus políticos não foram vendidos e sempre agiram para o bem. Mas a que preço? Ao preço de uma nação falida e com milhões de desempregados, onde cada emprego custa três ou quatro em impostos pagos ao governo. E para quê? Para seguir deixando a maioria dos pobres desassistida. *(jornalista -  Santiago - RS)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Suicídios

(João Lemes) Por mais que se fale, a todo momento tem alguém divulgando suicídios sem razão alguma. A última vítima foi uma família de São Chico. Alguns blogues, na ânsia de divulgar o indivulgável até antes da família saber, chegaram a trocar o nome da vítima. Por isso que se diz: não há nada pior que um incompetente com atitude.

O porquê de não divulgar
Existe uma convenção profissional extraoficial que determina: suicídios não serão noticiados pela imprensa. O suicídio é posto à margem da ação jornalística por se tratar de um ato íntimo. Ao divulgar suicídios, a imprensa expõe ainda mais a vítima e a família. O pior é que, segundo especialistas, ao ler uma notícia sobre suicídio, pessoas depressivas podem tomar a mesma atitude.

Toda liberdade é boa, só não confundam liberdade com castração dos direitos dos outros. E mais: o mundo já está cheio de opiniões idiotas. Então, vamos tentar ser, se não mais inteligentes, pelo menos mais humanos.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Loucos ou certos?

"Para sabermos nosso grau de sanidade, basta que observemos os outros; aí notaremos que, ou eles são muito certos ou os loucos somos nós." (João Lemes)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A cultura dos 50 reais

A Rádio Santiago recebeu dezenas de aluninhos do primeiro ano de uma escola municipal. O programa era gaúcho, apresentado pelo famoso Marco Antônio Nunes. Entre uma pergunta e outra tentando fazer as crianças falarem, inventou de perguntar se sabiam cantar. Foi aí que um grupinho de meninas largou:
"Bonito! Que bonito hein! Que cena mais linda será que eu estou atrapalhando o casalzinho aí...
Que lixo! 'Cê 'tá de brincadeira! Então é aqui o seu futebol toda quarta-feira? E por acaso esse motel é o mesmo que me trouxe na lua-de-mel, é o mesmo que você me prometeu o céu e agora me tirou o chão"...
Depois o locutor, muito decepcionado, pergunta:  -  E uma gauchinha, não sai? Silêncio total...

sábado, 26 de agosto de 2017

Casar ou não casar?

Uma das frases mais incríveis sobre o casamento foi dita pelo poetinha alegretense, o nosso Mário Quintana, que morreu solteiro aos 88 anos. Quando alguém perguntava o porquê de ele não ter se casado, Mario respondia: "Eu prefiro deixar dezenas de mulheres esperançosas, que uma só desiludida."

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Somos um cadáver adiado

(por João Lemes) Os estudiosos definiram o homem como animal racional. Que somos animais, eu sei. Tenho dúvidas quanto ao “racional”. A cada dia é gente maltratando a natureza, os animais, as pessoas... É tanta violência, tanto racismo, tanta homofobia que chego a perder as esperanças na humanidade.

Sabemos que diploma nunca encurtou orelhas, que educação não é a escola quem dá, muito menos a faculdade. Educação é berço!  E hoje ainda temos a tal rede social, um mural onde se coloca de tudo, até aquela velha opinião que sempre temos, mas que merecia ser enterrada conosco.

Vejam o judiciário. Ele se dedica a julgar milhares de casos e, alguns, ainda ficam impunes devido à falta de certezas. Agora imaginem uma rede com opinião e “certezas” de todos os lados. O pior é que em rede social não há errata ou pedido de desculpas. Alguns compartilham crimes e ainda escrevem: “não sei se é verdade”.

A verdade mesmo é que discordo de quem disse que somos “racionais” e apelo a Fernando Pessoa o qual deu a melhor definição sobre nós, “desumanos”. O homem é um cadáver adiado.  

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Você sabe o que são vândalos?

(João Lemes)
Quando se fala em destruição, vem à mente a palavra vândalo. Mas você sabe como ela foi parar na língua portuguesa?: Os vândalos eram uma tribo da germânica, naturais da Escadinávia, que penetrou no Império Romano durante o século V e criou um estado no norte da África ocupando a cidade de Cartago. No ano de 455, invadiram e saquearam Roma por duas semanas, destruindo muitas obras primas de arte que se perderam para sempre. Anos depois o imperador Justiniano I declarou guerra aos Vândalos e, após dois anos de intensas batalhas, os romanos ocupam as principais cidades do Reino Vândalo, no norte da África, levando o rei Gelimer à rendição no ano 534.

Origem do nome
O nome na língua original era Wandeln. O termo é sinônimo de barbárie e destruição, mas a conduta desse povo não foi diferente dos hábitos dos povos antigos que também saquearam Roma, o que torna a utilização relativamente injusta. O responsável por essa atribuição foi o bispo de Blois, Henri Grégoire, que no final do século XVIII, utilizou a palavra em vários relatórios para a Convenção, denunciando a destruição de monumentos, pinturas, livros que estavam sendo destruídos como símbolo de um ódio ao passado de “feudalismo”, “tirania da realeza” e “preconceito religioso”, durante o Reino do Terror. Em seu livro Memoirs, ele escreveu: “Inventei a palavra para abolir o ato”.

Os nossos heróis

O Neymar arrasou, isso é fato. O que me deixa angustiado é ouvir uma criança dizer que, por isso, teve o dia mais feliz de sua vida. Esses são os símbolos da virtude, do amor e do exemplo para nossos jovens; os craques ricos e sonegadores.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pelos trabalhadores ou pelo poder?

(J.Lemes) -  Há muitos anos os sindicatos orientam e ajudam o trabalhador. Claro, tem aqueles que também servem aos governos, digo, aos governos petistas, caso da Central Única dos Trabalhadores - CUT. A cada ano os trabalhadores dedicam boa parte de seus salários para essas entidades, prática só vista no Brasil. Depois, quando surgem manifestações, lá estão os sindicatos financiados pelo trabalhador dizendo que estão defendendo o trabalhador. Será que estão? Quem estaria por trás para manobrar essa dinheirama do imposto sindical?
Obs. Quando entrar em vigor a nova lei trabalhista - em novembro -, essa teta vai acabar.   

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O homem é um cadáver adiado

(João Lemes)
Quando vi esta foto no Dia Mundial do Meio Ambiente pensei; algo me lembra os famosos tocos pelas calçadas em Santiago, árvores cortadas por causa das suas raízes e que hoje brotam de igual forma. Assim, tiraram a árvore, mas ficou o toco, ou seja, uma árvore com vida por metade. Pior é que ninguém sabe dizer de quem é a obrigação de tirar os tocos. Estranho que para cortar a árvore não faltou gente. Penso que igual a esse toco que insiste me viver, muitos em Santiago insistem em emburrecer! Bem disse Fernando Pessoa para definir o que somos: "Um cadáver adiado".   

domingo, 13 de agosto de 2017

Meu pai, meu rei!

(João Lemes) Quando era criança, gostava de observar os mais velhos. Meu tio recebia os compadres, enquanto eu ficava à espreita: qual seria o início da prosa? Será o tempo ou os animais? Indagava-me, fazendo um jogo com meu próprio pensar. O assunto “tempo” sempre vencia.
- Buenas, compadre!
- E daí, será que chove?
- Olha, só se virar o vento.
- É, mas hoje amanheceu carregado para os lados do “chovedor” e eu não quero mentir, mas esse tempo velho é “caborteiro”...

As palavras do tio eram sábias e eu jamais retruquei. Naquele tempo, criança que se metia em conversa de adulto ganhava um tapa na cara. O tio não poupava nem os comentários sobre o meu próprio time. Pior ainda se fosse hora do almoço.

Infelizmente não tive privilégio de ser criado pelo meu pai, que partiu cedo. Minha mãe, ainda jovem e com oito bocas pra sustentar, precisou “dar” alguns dos filhos aos parentes. Numa “doação” daquelas me fui junto. Morei por 10 anos com meus tios, depois agarrei o mundo, só parando em Santiago.

Apesar de não conviver com meu pai, eu nunca o esqueci. Sua imagem é onipresente em minha memória. Você, meu pai, foi meu rei. Digo isso por saber que o maior orgulho de um pai é ser o herói de seu filho. Ser espelho para a prole justifica nossa presença na terra e nos faz remoçar. E hoje, caso  não seja o rei para meus filhos, já me contento em poder apenas dizer que eles são o meu reino.          

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Frescuras verbais

Ouvi hoje: "A Rádio está nos proporcionando a divulgar nossas ações". Só poderia ser professora do politicamente correto. Ou diria assim, de modo bem mas simples: "A Rádio nos ajuda a mostrar (divulgar) nosso trabalho". 

Eu não sei por que  as pessoas procuram tanta volta para dizer o óbvio.  

Hoje também se transformou em vírus a palavra "espaço". Ninguém mais diz lugar, local etc. Até nas rádios os programas viraram "espaço da informação". 

Ninguém mais reforma algo publico, só "revitaliza". Ninguém mais fala ao redor, só no "entorno". 

São os modismos que fazem a gente se "apoderar" dessas frescuras verbais.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Inverno sem cara de inverno

(João Lemes) Esta é minha rua (Benjamin), esta é minha Santiago e esses ipês são nossas riquezas. O cenário não é típico da época, pois estamos em pleno inverno, portanto, não é hora para os ipês estarem assim, tão enfeitados. E hoje o dia ainda está todo "enfarruscado", bem a cara do agosto velho de guerra. Só os ipês que dizem outra coisa; dizem que o frio se foi, que o inverno se foi...

Um tempo atrás os ipês abriam no final de agosto, início de setembro e eram um ornamento natural para o desfile de Sete de Setembro. Agora, abrindo nesta época, pode chegar o desfile e não ter mais aquele tapetinho amarelo na avenida. 

Dicas de português

Palavras manjadas 
e outras terríveis

(João Lemes)* Tudo é moda até que alguém se canse. Assim é com a língua portuguesa. Certas palavras ditas uma vez não merecem ser ditas a vida inteira porque cansam o ouvido. Então, a pessoa pensa que está falando de forma elegante, só pensa, mas não está, já que ela diz o que todo mundo diz. Exemplo de expressões que deveriam ser banidas por um tempo: em prol, quão, alavancar, culminar, assolar, quiçá...

Também temos outras que podem ser corretas, só que ficam ordinárias na frase, como “perguntada” em vez de indagada, questionada... 

E esta é pra ajudar mesmo: muitos dizem que o tempo ficou “enferruscado”, entretanto, o correto é “enfarruscado” - sinônimo de enegrecer, sujar com carvão, fuligem... O tempo se enfarruscou; o céu cobriu-se de nuvens escuras. 
*(Jornalista e professor de português)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A arma "arma" quem mesmo?

(João Lemes) - Em Santiago um estabelecimento foi arrombado. Levaram sabem o quê? Todas as armas que o empresário mantinha para sua defesa. Foi no Ricardo Lanches.

Em Capão do Cipó (Assentamento Nova Esperança) arrombaram uma casa e levaram revólver, espingarda e munições. A intenção do dono também era se defender dos bandidos.

Em Nova Esperança um assaltante arroubou a casa de um cidadão de bem, levou sua arma e seguiu assaltando com ela (até matou) por dois anos. Inclusive assaltou o irmão do ex-dono da arma.

Hoje se sabe que a toda hora uma criança morre vítima de arma de fogo em tiro acidental, como ocorreu neste final de semana em Pelotas. 

Agora pergunto de novo: a arma ajuda contra o bandido ou a arma acaba servindo ao bandido?

A única serventia da arma é o fator psicológico. Ela dá mais coragem a quem a possui, mas só de coragem ninguém vive. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Dicas de Português

Redundâncias 
(ou pleonasmos)
Considero-me um "cortador" de palavras, antes de ser redator ou escritor. Faço isso porque acredito que devemos respeitar o tempo alheio. Então, digo tudo de forma econômica. Minha maior intolerância é com as redundâncias (ou pleonasmos). Aparando essa parte que sobra, já se encurta muito texto. 

Exemplo: pra que dizer "baseado em fatos reais" se todo fato é real? E o que dizer de "logo em seguida"? Já viu algo ser logo, mas não a seguir? Também temos o "logo após" e outros. Veja: 

"Assine sky e assista às suas séries preferidas." 
Capaz! Eu até assino, mas vou assistir só às séries "preteridas" (das quais eu não gosto). 

"Agora vamos informar a hora certa para você."
Seria a primeira rádio do mundo a dizer que vai informar a hora errada. E se não fosse para o ouvinte, para quem seria?

"Vamos a um breve intervalo e já voltamos."
Sim. Se caso não voltarem não seria intervalo. Seria o final do programa.

"O ladrão fugiu do local, mas teve testemunha que presenciou o fato."
Se ele fugiu, provavelmente seja de algum local, nesse caso, lógico que fugiu do local do fato. Quanto às testemunhas, se não tivessem presenciado não seriam testemunhas. Ou seriam?

"A vítima foi  levada ao hospital onde será medicada".
E que mais fazem em um hospital?

"A viatura bateu em uma árvore que estava do lado de fora da rodovia."
É, tem que dizer que estava "fora" da rodovia porque agora tem imbecil plantando árvore no meio da estrada. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Eu agora sou só eu

(João Lemes) Tentei ser revolucionário, virei um brigão. Tentei ser sincero, fiquei grosseiro. Tentei ser inteligente, virei esperto. Tentei ser crítico, virei  chato. Tentei ser realista, virei pessimista.  Tentei ser humilde, virei ingênuo. Tentei ser educado, virei  subserviente. Tentei ser alegre, virei tolo. “Tentei tanta coisa que esqueci de ser eu mesmo. Agora descobri que o bom da vida está na arte de saber medir nossos desejos e impulsos. Portanto, hoje não sou o que querem que eu seja, tento ser apenas eu.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Belezas de Santiago


Dicas de português

Frases que parecem completas. Só parecem...
(João Lemes) - É comum ouvirmos “o senhor gostaria de um lanche agora?”, com o falante “comendo” também o verbo “ganhar ou comer”. “O senhor gostaria de ganhar/comer um lanche agora?” seria o correto. Também se ouve: “esta é a fruta que mais gosto” em vez de “esta é a fruta de que mais gosto”, pois quem gosta, gosta de algo.

Outros exemplos dados pelo
Instituto Euclides da Cunha
“Sabe aquele lugar que você planejava viver no futuro? A inauguração é hoje.” Assim foi escrito no lançamento de um condomínio. A construtora se preocupou com os “apartamentos mobiliados”, mas a agência de propaganda falhou no texto. O correto seria: “Sabe aquele lugar em que você planejava viver no futuro?”


O verbo viver precisa da preposição “em”. (você vive em um lugar). Neste caso, a preposição se desloca para a frente do pronome relativo que, que introduz a oração subordinada na qual se encontra o verbo que rege a preposição.

A marca em que você sempre confiou está de volta. (confiar em). Só faço as coisas de que gosto. (gostar de). Não publicou as notas mais importantes a que me referi. (referir-se a).

É natural dizermos “confiou na marca, gosto de coisas boas, eu me referi a notas importantes”; porém, é preciso um bom ouvido para reconhecer a falta da preposição quando ela está distante do verbo. Nem todos sentem que o slogan da Texaco (O posto que você confia) fere a gramática. Mas seria ótima a retificação para “o posto em que você confia”. 

No cotidiano a tendência é simplificar, mas quem quiser escrever no padrão culto não pode omitir essa preposição antes do pronome relativo.

Obs.: Pronome relativo é uma classe de pronomes que substituem um termo da oração anterior e estabelecem relação entre duas orações).

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O sucesso alheio

O sucesso dos outros só nos incomoda quando não somos cientes de que estamos dando o nosso melhor. Também é bom ter em mente que o sucesso alheio não pode ser motivo para o ódio e rancor. Essa mágoa, esse recalque (ou chamem lá como quiserem) só aniquila a nós mesmos. Por isso, sigo a seguinte linha: se eu não gosto de alguém, o problema é meu; se os outros não gostam de mim, o problema é deles.

Dicas de português

DESAPERCEBIDO
(J.Lemes)
Muitos invertem o sentido da palavra "desapercebido" com "despercebido". Exemplos:
 - O assaltante estava "desapercebido" do policial.
(o assaltante não viu o policial)
- O policial estava "desapercebido" do assaltante.
(o policial não viu o assaltante).
 - O Assaltante passou despercebido.
(o policial e outros não viram o assaltante).
Como vimos, o verbo "desaperceber" é sinônimo de não ver, não notar, não perceber algo, estar desprevenido, desatento...

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Nós versus nós

(João Lemes) Eu já sei que hoje as redes aceitam tudo e que numa dessas andaram compartilhando uma lista de negatividade do Brasil ditas por um americano. Ele resolveu dizer por que não gosta dos brasileiros e nos encheu de “elogios”. Ora, nem entro no mérito se é verdade o que ele diz (até pode ser - mas em outros países, até no dele, tem coisa pior), apenas pergunto: quem são os americanos para falar de nós, um povo que só pensa nele?

Pior ainda é a nossa própria gente que não tem senso de nacionalismo e sai  compartilhando besteiras contra nós mesmos. Aliás, duvido que haja povo que goste mais de desfazer da sua terra que os brasileiros. Não sei o que alguns ainda fazem aqui. Gostamos tanto de falar mal de nós que damos trela a qualquer idiota que surge na rede. Por essas e outras até desconfio que esse dito americano seja, na verdade, um brasileiro. Se até nós somos contra nós, quem será por nós?

terça-feira, 25 de julho de 2017

O mal da solidão

A solidão é prejudicial à mente e ao corpo. Os seres humanos são condicionados a não viverem sozinhos e sim interagir com outras pessoas, ter contato físico como no aperto de mão e, principalmente, no abraço. Isso está sumindo pelo uso exagerado de celular. Ele aproxima os de longe e afasta os de perto. (Colaboração, médico Arlindo Disconzi - Santiago).

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Somos os nossos cargos. E deu!

(João Lemes)
O filósofo polonês Zygmunt Bauman já disse; vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar? Concordo. Neste mundo, onde tudo o que tem vida é inacabado, incompleto, as pessoas são todas falhas e de atos falhos. Uma das nossas maiores falhas é enterrar uma pessoa boa e esquecê-la em algumas horas. Eis a prova de que tudo é finito, até a bondade e a vida gloriosa de alguém. Em suma: somos o que nossos cargos dizem que somos.

Vejam o Paulo Sant’ana. Se tivesse morrido no auge, pararia o Estado, como bem me disse um amigo. Mas como morreu velho e doente, tchau mesmo! Pouca gente se viu no velório (para um cara que fez as pessoas lerem a Zero Hora de trás para frente...). Daqui a uns dias será esquecido. É lógico que para o morto isso não muda nada, porém, muda para a família, amigos e para uma sociedade que deseja seguir os exemplos de sucesso.

Obs. Este velório sim justifica a bandeira de um time no caixão, já que ele se fez falando nesse time. Já em outros, a bandeira do Rio Grande ficaria bem melhor (ou não).

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A mídia e a arte da imitação

(João Lemes) Há anos percebo que a mídia brasileira imita uns aos outros. São os mesmos programas, os mesmos tipos de noticiário, os mesmos horários, o mesmo estilo, a mesma linguagem e até as mesmas notícias e quase as mesmas opiniões. A mídia é tão perfeita na arte da imitação que copia até os próprios clichês e os próprios erros gramaticais.

terça-feira, 18 de julho de 2017

A despacito?

O gaúcho sempre se apoderou de termos espanhóis como “bueno”, “guapo” “che” etc pensando que fossem coisas dele. Na real é dele, só que é também linguajar latino, ou seja, de todos. Este termo “a despacito” é tido como algo devagar, com calma...  Agora surge a canção “Despacito” com o cantor porto-riquenho Luis Fonsi. Pronto! Como é a mais rodada do momento, o termo passou a ser do mundo.

A inveja

Vou dizer algo que há horas me incomoda. Penso que se dizer invejado seja uma autolouvação. Isso tem a ver com quem vive dizendo que tal pessoa sente inveja dela. Sigo a lógica de que só invejamos quem está acima. Logo, se dizer invejado é se julgar acima.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A inteligência moral

(João Lemes) Num mundo onde todos nós somos regidos por leis, que bom seria se todos pudéssemos agir apenas pela consciência do que é ético e moral. Poderíamos rasgar todas as leis. Digo isso porque o homem age de acordo com o que o americano Lawrence Kohlberg chamou de inteligência moral, ou desenvolvimento moral, que abrange vários níveis e estágios e chega até o nível 6.

Nos primeiros níveis e estágios 1, 2 e 3, o sujeito age por esses mecanismos: uns, apenas por medo da lei. Dizem até que é bonzinho, mas não. Ele só age corretamente por medo da punição. Já outro, age pela regra apenas quando lhe convém, quando tira vantagem, enquanto outro age movido por algo que vem de fora, de um grupo talvez. Caso do jovem que não obedece os pais e segue o grupo da rua.

Mas nessa ciranda toda, os mais dotados de inteligência moral são os que agem pensado em algo maior, que compreendem uma ordem social que advém da lei, justiça e dever. São esses que fazem uma sociedade crescer. São os que sabem que nada acontecerá, nada mudará se não for pelo coletivo. Esse é o nível 4 de inteligência moral. Seria o seu nível? Pense nisso...
(Jornalista -  Santiago -  RS)

domingo, 16 de julho de 2017

No dia em que eu voei

Minhas histórias
Um dos maiores sonhos do homem sempre foi o de voar. Não distante disso, quando era criança a minha principal diversão era deitar pensando em voar e, assim, poder sonhar que estava voando. E se lá pelas tantas eu me visse em apuros, com perseguições etc., eu pensava no próprio sonho; pra que o desespero, se eu posso voar? Então, sacudia os braços e saia voando. Pronto! Situação perigosa resolvida. 

Depois de mais taludo, descobri que muitas outras crianças também gostavam de sonhar com voos. Também descobri que na fase adulta, alguns ainda seguem sonhando com os voos. Eu, porém, não me vejo mais em apuros nos sonhos, me vejo em apuros na vida real. Por isso queria voltar a sonhar e voar. 

Como eu sei que na infância basta pensar nos voos antes de adormecer para conseguir meu intento, hoje eu penso, penso e repenso a vida para que ela me dê condições de voar, feito que consegui naquele bendito dia em que parti para os caminhos da educação.    

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Considerações sobre a violência doméstica

(J.Lemes) Para começo de conversa, reafirmo que sou contra a qualquer violência, seja moral ou física. A busca de solução pela força é o maior exemplo de fraqueza. Mas como somos humanos, a única espécie que ataca a sua própria sem ser pela necessidade de sobrevivência, ninguém está livre de cometer um ato desses.


O que me preocupa é que a violência doméstica cresce, só cresce. E nós, o que fizemos? A banalizamos. É tudo "normal". Mais normal ainda é quando é o homem quem agride, que dá balaços, queima, tortura... Agora, quando é a mulher que agride, é um eco só: que horror! Que horror! Que horror!

Estranho também é que ninguém quer saber o que levou a pessoa a cometer tal agressão e, aí, todos, principalmente as mulheres, passam a olhar só de um lado e jogam de uma vez só a agressora na lata do lixo. A isso tudo chamamos sociedade. A isso tudo chamamos "nós".

terça-feira, 11 de julho de 2017

O socialismo de Gramsci não deu certo

(J.Lemes)*
Muitos hoje começam a discutir se alguém entendeu os ensinamentos do filósofo italiano Antonio Gramsci, já que a esquerda latina não deu certo. O socialismo não deu certo. O PT e tantos outros não deram certo, apesar das boas intenções.

Esse pessoal pensou e ainda pensa, pelas linhas marxistas que inspiraram Gramsci, que todo o sistema capitalista deveria ser demonizado, sejam os fazendeiros, os latifundiários ou empregadores, esses exploradores de mão-de-obra, depredadores da natureza.

E mais: nesse pensar, os banqueiros viraram especuladores; a imprensa foi vendida aos poderosos. Só os partidos e seus políticos não foram vendidos e sempre agiram para o bem. Mas a que preço? Ao preço de uma nação falida e com milhões de desempregados, onde cada emprego custa três ou quatro em impostos pagos ao governo. E para quê? Para seguir deixando a maioria dos pobres desassistida. *(jornalista -  Santiago - RS)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Vamos treinar?

Hoje fiz algo diferente ao acordar. Fui ao pátio e agradeci o rapaz que está fazendo a limpeza. É que ele fez um trabalho tão bom, coisa difícil nesses tempos...
Difícil também é a gente agradecer por alguma coisa que está pagando. Não é do nosso hábito. Mas como dizia Aristóteles, os bons atos, a virtude, assim como qualquer coisa na vida, também é uma prática, um treino. Estou treinando bastante para que vire hábito.
Espero que você também faça o mesmo. Vamos semear o bem e os bons costumes? Bom dia!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma edição por vez

Queria compartilhar com os amigos a alegria que sinto em poder atuar na comunicação e acompanhar a carreira de tantos talentos da minha região. Nestes 24 anos de Expresso sou grato ao carinho de todos, até dos que um dia não consegui agradar. Só quero que saibam que não pessoalizo nada e vivo sempre uma edição de cada vez. Obrigado, amigos!

terça-feira, 4 de julho de 2017

A ideologização do ensino e da cultura

O Ministério da Educação (MEC) é uma instituição, porém, antes disso é um grupo de estudiosos que determina o certo e o errado para o estudante. Muitas vezes determina até quem deve escrever livros para esses estudantes. Portanto, quem duvida que em muitas vezes o Mec não serviu à política ideológica?

E os artistas Luan Santana, Cláudia Leitte, Ivete Sangalo, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil o que têm em comum, além da boa musicalidade? São todos ricos. E o que mais? Todos serviram-se do dinheiro da Lei Rouanet, criada para incentivar os novos talentos. E todos esses benefícios, caso do Luan Santana - que pegou mais de quatro milhões -, foram concedidos quando Gil era o ministro da cultura, pelo PT.

Muitas produções de filmes também levaram dinheiro do governo (ou disfarçado pelas empreiteiras) como “O Filho do Brasil” que retrata o próprio ex-presidente Lula. Por que esse filme recebeu o dinheiro de várias empreiteiras que hoje escandalizam o Brasil, como a OAS, Odebrecht e a Camargo Corrêa? Teria sido mais uma produção na tentativa de um Oscar?, sendo que nos últimos dez anos foram gastos 50 milhões em recursos públicos com esse pretexto.

Por isso é bom ficar atento quando artistas elogiam esse ou aquele governo, governo este sabedor de que os fãs desses ídolos não vão discordar deles. Wagner Moura, por exemplo, rico e famoso mocinho brasileiro lá no exterior, a todo momento fala em golpe. Qualquer criança sabe que essa história tem outro propósito; o de fazer uma mentira virar verdade à custa de artistas financiados com dinheiro público.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Você sabe para onde se voltar na hora de cantar o hino?

Já mencionei diversas vezes que não se vira de costas nem de lado para o povo na hora de cantar o hino nacional. Está certo que a bandeira é nossa representante, mas apenas isso: representante. Porque se o povo estiver presente, ele será muito mais motivo de homenagens que a bandeira. Portanto, podemos nos virar para a bandeira o quanto quisermos, pelo tempo que quisermos, só não podemos é dar as costas para o povo. Isso é lei.
Obs. O hino da pátria é saudação ao seu povo. O hino à bandeira sim. Este deve ser cantado em referência a ela.   

Bom, mas se não se viraram como manda o figurino, o bom mesmo foi que ninguém errou na cantoria, nem confundiu a primeira parte com a segunda: Brasil, um sonho intenso, um raio vívido/De amor e de esperança à terra desce... com Brasil, de amor eterno seja símbolo. O lábaro que ostentas estrelado...

Pergunta incômoda

(J.Lemes) Pelo visto, há pouca pergunta incômoda sendo feita no Brasil. Raras são as exceções. Quando de fato alguém se inquieta é apenas para construir uma narrativa ideológica, não para denunciar ou simplesmente questionar alguma coisa. Em todo o Brasil é assim (até aqui). Quando um jornalista faz isso, ele passa a ser odiado por tentar ir de encontro a vários interesses de gente que ainda desconhece o seu papel, o papel da pergunta incômoda.

domingo, 2 de julho de 2017

Meu amigo Pedro

(do quadro minhas histórias)

 - por João Lemes - Das tantas coisas que presenciei, algumas merecem ser compartilhadas. Quando morei em Cruz Alta fiz tanta amizade... Gente de vilas bem pobres e outros eu conheci no colégio interno. O Pedro eu encontrei quando fui morar nos apartamentos da extinta Cohab. Ali tinha de tudo; do pedreiro ao traficante, da prostituta à dona de casa.

Como o Pedro virou meu vizinho de porta, não demorou para descobrir que ele sempre saia à noite, porém, sempre dizia que não tinha emprego. Um dia descobri que sua "profissão" era o roubo. Sim, ele entrava nas casas e roubava TVs, utensílios, ferramentas e até pneus. Dizia que essa vida era a única que lhe restara e que precisava sustentar o filho.

Como tudo na vida depende da mão de alguém, pensei em ajudar meu amigo Pedro e lhe arrumei o primeiro serviço na mesma empresa em que eu trabalhava como leiturista de medidor de luz. No início, como foi bem recomendado por mim, tudo andou direitinho. Até que um dia o patrão se queixou que um morador havia ligado alertando para os olhares compridos que o Pedro lançava dentro de casa quando ia fazer a leitura da luz. Fui direto ter com ele:
 -Mas como? Quer me arruinar a vida? Eu te dei uma mão e tu fica olhando para dentro das casas das pessoas?
 - Mas quem te disse isso, João? Tá louco? Aposto que foi esse "veio" fofoqueiro. Só de nojo vou deixar esse "veio" "nos toquinhos".
Esse "veio" era o chefe e "deixar nos toquinhos" era o ato de roubar todos os pneus do carro. Ideia que o Pedro abandonou para me provar que estava regenerado. Mas não resolveu. Foi despedido.

Mesmo diante desse "entrave", não perdi a esperança. Todos merecem duas chances e resolvi dar-lhe a segunda. Quando mudei de emprego, de novo consegui uma "boca" para ele na mesma empresa. Tudo recomeçava a dar certo. Até que um dia faltou ao trabalho. Depois de novo e de novo. Desconfiado, o chefe mandou atrás dele em casa. O problema dessa vez não era o Pedro, nem do Pedro, mas algo que o Pedro havia feito no passado, cuja "condena" chegou só depois. Fazer o quê! Lei é lei!

E seguiu-se a peregrinação dos mandados do chefe e nada do Pedro. Nem em casa, nem no hospital, nada de informação. Àquela altura eu torcia que tudo se esclarecesse. Afinal, fui eu quem apresentara o Pedro no trabalho.
Já estava com muita vergonha pela sua falha ao serviço - imagina se descobrem que ele está na cadeia - pensava eu. Até que, numa daquelas, um dos nossos colegas voltou dizendo que finalmente tinha ouvido notícias do faltoso. Pensei: é agora! E foi mesmo. O colega falou pra mim e para o chefe:
- Ninguém sabe do Pedro. A única coisa que ouvi veio de um menininho que apareceu por lá. Ele disse: "O Pedo tá peso". Juro que não entendi mais nada...

Como vimos, todo o sujeito precisa de uma chance. Eu tive a minha e dei uma ao Pedro. Pena que o entrave foi o seu próprio passado.

sábado, 1 de julho de 2017

Brasília sem tornozeleira

O nosso famoso deputado Rocha Loures, o homem da mala, ganhou liberdade mediante uso de tornozeleira. Detalhe: teve que arrumar uma emprestada porque não havia nenhuma sobrando em Brasília.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

E a hora do evento?

O brasileiro tem fama de ser descansado, de não chegar no horário marcado etc. Com raras exceções, saímos para o trabalho, eventos, reuniões e até para a aula com o horário certinho, no limite. Qualquer imprevisto, por menor que seja, vai nos atrasar de certeza.

Essa mania é tão real que os próprios organizadores dos eventos não divulgam mais um horário. É tudo “a partir de tal hora”. Já notaram isso?
Como me disse um sábio amigo: “Vou adiantar meu relógio em 10 minutos para que eu me atrase só 5”.

Obs. Na frase; "A lei entra em vigor a partir de 10 de março" há um pleonasmo. Bastaria dizer: a lei entra vigor em 10 de março. Outro erro fatal é dizer que uma medida tal está valendo a partir de ontem, quando o certo seria desde ontem. 

De gente e de bicho

A toda hora vejo corpos dilacerados pela rede e gente festejando essa mortandade como se fosse uma boa notícia. Pode ser uma boa notícia pros nossos honrosos defensores da lei, mas o fim de uma vida nunca será uma boa notícia para mim. E se um dia isso ocorrer, estarei virado num verdadeiro animal, apesar de que no humano já há muito mais coisas de bicho do que de gente. E tem tudo para piorar! Infelizmente.

Verborragias

Muitos adotaram mais um modismo que vem do bestial politicamente correto. Ninguém mais fala em locais, lugares. Só falam em espaços disso e daquilo. Falam em melhorar os espaços, ampliar os espaços, revitalizar os espaços. Não é errado, mas que vira modismo  - e que todo o modismo uma hora cansa - isso é fato.