sexta-feira, 5 de agosto de 2016

De onde vem tanta violência?

(João Lemes)*
A lei Maria da Penha chega a 10 anos. É considerada uma das melhores medidas do mundo no combate à violência. Claro que todos querem saber por que uma lei tão boa não cumpre seu objetivo. Cumpre sim, só que a passos lentos. Hoje muitos estão presos, outros impedidos de se aproximar das vítimas. O fato é que a nova lei tirou muitos casos do anonimato, aumentando as estatísticas.

A violência está em tudo, desde as famílias ao esporte. É cada um querendo ser dono do outro ou provar que é melhor. Mas de onde vem isso? Vejam o que diz o pesquisador Valdo Barcelos (UFSM): “Tudo o que acontece na sociedade é resultado daquilo que fazemos. A maldade não é tudo no ser humano, no entanto, toda a maldade é humana. O animal que somos não nasce amando nem odiando. Mas como chegamos a odiar tanto? Como somos capazes de competir a ponto de planejar o aniquilamento físico do outro para sairmos vencedores?”

“A violência é uma criação cultural da sociedade patriarcal que teve origem no continente europeu há 7 mil anos. Nas sociedades anteriores a orientação era matrística, quando homem ou mulher tinham o mesmo valor. Assim, a competição não existia. Ou mudamos a orientação cultural de uma orientação patriarcal para uma orientação matrística ou estaremos nos chocando com mais violência”, explica o escritor.
(jornalista)*

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Os idiotas seguros e a dúvida dos inteligentes

“O problema com o mundo moderno é que os idiotas estão seguros e os inteligentes cada vez mais cheios de dúvidas”. A frase do filósofo galês Bertrand Russel foi escrita na década de 1930 como um alerta, diz artigo do jornal Gazeta do Povo (Curitiba).

O paradoxo do pensamento de Russel é a base do conceito do chamado “efeito Dunning-Kruger” ou a síndrome do “idiota confiante”. Ou seja: um distúrbio dos indivíduos que ignoram o limite da própria ignorância.

O conceito foi criado em 1999 por dois psicólogos americanos. “Os incompetentes são frequentemente abençoados com uma confiança inadequada, afiançada por alguma coisa que, para eles, parece conhecimento”, dizem os psicólogos.

Leia mais em
http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/sindrome-do-idiota-confiante-explica-ascensao-de-trump-e-bolsonaro-de3widharpofwxh8wwtrvape7

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Estamos perdendo a capacidade de pensar

Estudos nos dizem que usamos a rotina para fugir da realidade. Aí, seguimos fazendo só o que está programado na área de serviço do cérebro, coisas que não acionem o pensamento. Caímos na zona de conforto e não somos capazes nem de usar outra rua para ir ao trabalho. Nem de dormirmos do outro lado da cama, quanto mais trocarmos de serviço, de cidade... E se o fizermos, será por necessidade, não por vontade.
Há outras coisas simples no dia a dia que uma pensadinha resolveria tudo. Querem ver? Quantas vezes você passou por um carro estragado na BR? Notou que todos colocam o triângulo de alerta no mesmo lugar? Ou seja, a poucos passos do veículo? Ora, se esse equipamento existe justamente para alertar os outros, o que resolveria colocá-lo ali, colado ao carro?
Vejam um motorista que perdeu o controle do seu carro na BR 287. Ele capotou e o carro caiu na estrada. Ok! Foi um acidente. Mas e por quer abandonou o local sem acionar a Policia Rodoviária ou sinalizar a rodovia? Acabou multado e com quatro pontos na carteira.
E agora? Você seria capaz de entender a razão deste texto? Se você não quiser pensar, eu explico: a razão é fazer todos pensarem mais para viver melhor. Pensando bem, quanta coisa ruim poderíamos evitar? Desde uma compra malfeita até uma briga. E o melhor: como tudo é costume, nosso cérebro voltará a trabalhar melhor e a nos servir mais. Pense bem...
* (jornalista e professor - Santiago - RS)

quarta-feira, 22 de junho de 2016


Os professores e os capitalistas

Conforme o escritor americano Napoleon Hill, há dois tipos de conhecimento; o geral e o especializado. No atual ritmo do capitalismo, pouco importa o geral. O especializado é o que leva a um ganho maior de dinheiro. Vejam o corpo docente de uma grande universidade. Nele estão quase todas as formas de conhecimento geral. No entanto, a maioria deles tem pouca riqueza material. Isso porque eles são especializados no ensino do conhecimento e não em sua organização e utilização  prática para ganhos mais palpáveis.


O nosso educador e senador Cristovam Buarque diz que ainda há outro fenômeno no Brasil: poucos correm atrás de educação. A maioria quer apenas as portas que a educação pode abrir. Querem é ganhar dinheiro. Enquanto isso, o professor que lá está ensinando a todos para que consigam se dar bem e juntar fortunas, continua com seu salário minguado. Mas o reflexo já chegou pra todos. Hoje, só quem tenta ser professor são os que não conseguem outra coisa nas faculdades. Assim, daqui a uns anos, quem vai ensinar os futuros capitalistas?

A invernia, os doentes e os reclames

(João Lemes)*
Há horas o frio não vinha tão cedo e tão forte. Nós, sulinos, não deveríamos estranhar. Minha geração foi criada no rigor, esmagando geada. Quando trabalhei nas fazendas eu saltava cedo. Mal se via a cabeça dos matungos e já era hora de enfrená-los pra o aparte, banho ou campereada.

Naqueles invernos não tinha de aula, brinquedos, passeios... Era serviço e serviço! E quem conseguia colégio nalgum vilarejo, ia a cavalo ou a pé. Nada de ônibus na frente de casa. Quando alguém ficava gripado, sarava na base da chapoeirada, gemada, cama e abafamento. A vida era assim e ai de quem reclamasse.

Hoje a geração é melhor servida, apesar das dificuldades que muitos ainda têm. O campo é quase cidade. Tanto é verdade que nem um peão campeiro se acha. Todos querem o conforto das casas, internet, trago e balada. Cousa boa! Também gosto!

O engraçado é que sempre reclamamos. Não somos capazes nem de nos agasalharmos bem. Não tomamos sucos naturais ou comemos sequer as frutas da época. Aquelas cheias de vitaminas c que tem a loléo. Não evitamos noites maldormidas nem nos alimentamos direito. Aí, quando vem a gripe, cadê a vacina? Cadê os leitos do hospital, os médicos? E dê-lhe reclames.
* (Jornalista e professor)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

As redes te deixam com medo de perder algo?

(João Lemes)
Eis a boa notícia: quase 100 milhões de brasileiros usam a internet. Outro número 
parecido está nas redes sociais. A outra notícia: ao mesmo tempo em que as redes trazem entretenimento, também podem estragar sua vida com a frustração e o desânimo.

A psicóloga paulista Adriana de Araújo fez um estudo sobre o comportamento dos internautas. Ao verem as constantes atualizações dos amigos sociais, alguns têm uma sensação de perda. É o mal-estar chamado "Fear of Missing Out" ou "medo de estar perdendo algo".

Adriana cita um exemplo: você tem mil amigos que tiram férias uma vez ao ano em dias diferentes. Todos resolvem postar suas fotos também em datas alternadas. A sensação é de que seus amigos vivem de férias se divertindo e você não.

Se não houver um bom equilíbrio, a pessoa faz uma leitura errada do mundo dos outros e começa uma batalha interior; "Será que minha vida também é interessante assim?" Daí vêm a tristeza, a baixa estima e tudo resulta até mesmo numa inveja descontrolada pela vida alheia.

No fundo, boa parte do que os outros postam é ilusão. São as fantasias deles que o internauta mistura às suas. Para ver se você está nessa situação, basta analisar o seu tempo de conexão e as coisas reais que perde, os amigos que não abraça. Note se você muda muito de site e até nem sabe o que procura.


Caso você se encaixe nesse mal-estar, pare e reflita! Saiba que uma vida muito melhor o aguarda nas coisas reais, no concreto e, principalmente, nas pessoas que o cercam. E siga ligado na internet. Aproveite suas vantagens, porém, não esqueça que uma conversa real pode ser bem melhor que muitas fantasias das redes.     

terça-feira, 24 de maio de 2016

Peru ou pirú? Bugio - bugiu?

João Lemes*
Antes de irmos ao assunto de hoje para saber se é correto dizer “peru ou pirú”, “bugio ou bugiu”, “veado ou viado”, convém dizer que na Língua Portuguesa não existe o errado. O que existe é linguagem adequada e inadequada. De resto, o negócio é se fazer entender! Então, tanto faz dizermos peru, pirú, bugiu, bugio...

Entretanto, há que se ter critérios, pois na língua escrita há normas e não dá para seguir o que se diz no dia a dia. Temos que escrever o correto: peru, bugio, veado... Mesmo que seja apelido de alguém, nada muda na língua escrita, que segue a regra padrão.

Essas considerações nos fazem lembrar que em outros estados o pessoal também muda as letras na língua falada. Se nós colocamos “i” no lugar de “e”, alguns colocam “u” no lugar de “o”. É “tumate”, “fugão”, “Juão”... E eles por acaso escrevem assim? Claro que não. A gramática não muda.

Então, está combinado? No dia a dia, sigamos com “piru”, “bugiu”, “viado”, ou ficaria pedante dizermos tudo corretinho como se escreve.
Obs. ‘peru’ não tem acento por ser oxítona terminada em “u”.

*Jornalista e professor de Língua Portuguesa -  Santiago - RS.

Quem é a loira afinal?


Compartilho este artigo anônimo retirado da internet; vale a pena ler, refletir guardar: 

Uma Loira participando do programa. Vejam as perguntas e respostas:

1. Quanto tempo durou a Guerra dos Cem Anos?
 a) 116 anos
 b) 120 anos
 c) 150 anos
 d) 100 anos
 Loira: vou pular esta😔

2. Em que país é fabricado o Chapéu Panamá?
 a) Brasil
 b) Chile
 c) Panamá
 d) Equador
 Loira: peço ajuda aos universitários😁

3. Em que mês os russos comemoram a Revolução do Outubro Vermelho?
 a) Janeiro
 b) Setembro
 c) Outubro
 d) Novembro
 Loira: eu pulo😞

4. Qual era o primeiro nome do rei George VI?
 a) Éder
 b) Albert
 c) George
 d) Manoel
 Loira: vou pedir as cartas🃏

5. As Ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, têm seu nome tirado de qual animal?
 a) Canário
 b) Urubu
 c) Cachorro
 d) Rato
 Loira: pulo essa também😢

6. Qual era a cor do Cavalo Branco de Napoleão?
 a) Preto
 b) Branco
 c) Marrom
 d) Branca
 Loira: peço ajuda aos convidados🤔

7. De onde vem a Groselha Chinesa?
 a) Nova Zelândia
 b) China
 c) Índia
 d) Japão
 Loira: essa eu pulo😫

8. Qual é a cor da Caixa Preta dos aviões?
 a) Preta
 b) Branca
 c) Vermelha
 d) Laranja
 Loira: de novo peço as cartas😯

9. Do que é feita a Escova de Pelo de Camelo?
 a) Pelo de gato
 b) Pelo de cachorro
 c) Pelo de camelo
 d) Pelo de esquilo
 Loira: pulo essa também😪

10. Quanto tempo durou a Guerra dos Trinta Anos?
 a) 25 anos
 b) 30 anos
 c) 31 anos
 d) 29 anos
 Loira: vou parar, pode entregar o ouro!😭

Atenção!!!

Se vc se acha esperto(a) e riu das respostas da loira, confira as respostas corretas abaixo:

A Guerra dos Cem Anos durou 116 anos, de 1337 a 1453;

O Chapéu Panamá é fabricado no Equador;

A Revolução do Outubro Vermelho é comemorada em Novembro;

O primeiro nome do rei George VI era Albert. Em 1936 ele atendeu a um desejo da rainha Vitória e mudou de nome;

As Ilhas Canárias têm seu nome tirado do cachorro. O nome latino é "Insularia Canaria" que em Latim significa Ilha dos Cachorros;

A cor do cavalo era marrom. Branco era seu nome;

A Groselha Chinesa vem da Nova Zelândia;

A Caixa Preta dos aviões é laranja, pra facilitar sua localização;

A Escova de Pelo de Camelo é feita com pelos de esquilo;

A Guerra dos Trinta Anos durou 30 anos mesmo. Essa foi só pra vc não tirar zero e não ficar sem graça.

Conclusão: Rir dos outros é fácil, mas estar no lugar deles e fazer tudo certo, aí sim é difícil. Viu??? Lição para a semana!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Críticas - o saber ouvir


"A pessoa que sabe ouvir as críticas dá sinais de muita inteligência e bom comportamento; ela sabe dizer não à cegueira inconsciente que todos temos e que não nos deixa sermos melhores" (João Lemes)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Para frear o estresse e acelerar a produtividade

No atual corre-corre, muitos dizem que seria bom que o dia tivesse umas 30 horas para conseguirem produzir mais. Essa expressão, assim como nos prova que gostamos de aproveitar o dia, também nos revela o quanto somos escravos do capitalismo. O problema é que, de tanto buscarmos a produção, esquecemos que o dia deve ser bem divido entre a produção e o descanso ou cedo ou tarde o estresse vai chegar. Aí, pode dar adeus à produção.

Pausas e retiros - A medicina nos diz que pequenas paradas durante o dia deixam nossa saúde melhor e ainda nos fazem muito mais produtivos. Outro bom hábito é o de fazer pequenos retiros durante o mês. Todos precisamos de algum tempo a sós para organizarmos nossa vida e recuperarmos a saúde. Como tudo na natureza é feito para começar e parar, encher e esvaziar, cansar e descansar, nosso corpo também precisa estar atento a esses ciclos. Isso é certo: quem se isola por algum período consegue esvaziar a cabeça e preparar novos projetos com muito mais facilidade.

Benefícios - Eis alguns benefícios que um bom retiro pode nos dar: Redução da pressão arterial, do ritmo cardíaco, da respiração e das tenções musculares. Também contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e a estimulação da atividade cerebral. O resultado geral é um alívio no estresse demonstrado na recuperação do nosso ânimo.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Considerações sobre propaganda

O nosso rádio está crivado de musiquinhas chatas. Na mídia é assim; um fez uma coisa, todos querem imitar mesmo sem saber se aquilo funciona, se não irrita, se não é um tiro no pé.

Também imitam os slogans. Todos os dias tem uma empresa dizendo que ela é "um novo conceito" nisso ou naquilo. Claro que a frase é bonita, porém, todos dizem isso. Tem até novo conceito em pizza, xis, cachorro-quente... Daqui uns dias vai ter novo conceito em funerária.

Não esquecendo que muitas empresas publicam na imprensa falada uma lista de telefones e números de endereços, mais o e-mail, site etc. Nem vou dizer nada, apenas convido quem publica a também ouvir os outros. Se conseguir decorar, gravar, anotar todos os números, prossiga com a ideia...

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Amor idealizado

(João Lemes)
Adormeço no recomeço do sonho
Nele te vejo, te beijo, te amo...
Meu sonho é real, quase animal;
Nele sou vassalo fiel, não engano

Adoro, choro, encantado
Pela flor, o amor, o esplendor...
Não há pranto, só o encanto
Dum amor sem dor, nem rancor

A vida, desinibida, sem despedida
É sonho, é desejo sem pecado...
É um voo bonito, ao infinito  
De um amor idealizado

Desperto, deserto, ninguém perto
Você some, sinto fome, sinto frio...
Não era dor, era amor, era afeto
A realidade assombra no vazio

Foi fatal, mas não fez mal
Foi inverso, perverso, com ardor...
Alma lavada, não foi nada
Para quem é só um sonhador.

Os porquês da maldade

(por João Lemes - jornalista - Santiago)
O filósofo grego Epicuro de Samos certa vez questionou a origem do mal, como bem retratou o escritor catarinense Célio Pezza: "Se Deus fosse onipotente, onisciente e bom, então o mal não existiria, pois para Deus e o mal existirem, é necessário que Deus não tenha uma dessas características, ou seja: se Deus quer impedir o mal e não pode, é impotente; se pode impedir o mal e não quer, então é cruel; se pode e quer impedir o mal, mas não sabe como fazê-lo, então não é onisciente; neste caso, continua a questão de onde então provém o Mal?"

Antes que os religiosos digam que não se deve questionar os desígnios de Deus, digo que devemos sim questionar dois itens tão polêmicos e sempre atuais; bondade x maldade, já que nunca é tarde para aprendermos a ser melhores. Como disse Aristóteles, a bondade é uma virtude e, como tal, deve ser praticada, cultivada. Também já disseram que toda a violência é uma demonstração de fraqueza, creio que a maldade também seja isso aliada à falta de inteligência. Então, sejamos fortes, sejamos justos, bons e mais felizes. Não precisamos saber a fundo de onde vem o mal, precisamos é saber praticar o bem. Saber tolerar as coisas adversas já seria um grande começo. 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

De trabalho e de ganância

(João Lemes)
O trabalho sempre dignificou o homem, desde que a ganância não se sobreponha. O problema é falar de trabalho e da riqueza que vem dele num mundo capitalista ao extremo. E nossa história é toda ela traçada pela ganância e pelo poder em excesso de uns sobre os outros. Essa corrida para acumular bens vem desde o descobrimento e segue atropelando o tempo e aniquilando muita gente em benefício de uma minoria.

O escritor Darcy Ribeiro publicou um diálogo entre um célebre francês e um velho índio tupinambá. O nativo perguntava por que os europeus vinham de tão longe buscar o nosso famoso pau-brasil.
-Eles não têm lenha? -, perguntou o índio.
-Sim, mas não é para queimar. É para fazer tinta e pintar as coisas.
-E por que precisam de tanta tinta?
-Para servir aos industriais de todo o mundo. Um só comprador rico leva um navio inteiro dessa madeira.
-Mas este homem tão rico não morre?
-Morre como todos nós.
-E o que acontece com sua riqueza?
-Fica pros filhos, irmãos ou parentes próximos.
-Vocês são mesmo loucos! - prosseguiu o índio - Viajam tanto, enfrentam o perigo para acumular fortuna e a deixam aos filhos! Esta terra que nos alimenta não basta para servir a esses herdeiros também?


terça-feira, 26 de abril de 2016


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vida

Passou feito um bandido pela vida; vida malvivida, desvivida, invivida e sem vida, vida bandida. Antivida. (João Lemes)

domingo, 24 de abril de 2016

O coronel Ustra, os nazistas e Bolsonaro

(por João Lemes - jornalista)
O país assiste à outra aberração praticada pelo deputado Jair Bolsonaro (PP do Rio), que agora pode, enfim, ser cassado. Tudo porque ele elogiou o coronel Carlos Alberto Ustra, ex-comandante militar torturador da ditadura. Foi na sessão do impeachment que Bolsonaro ofereceu seu voto ao coronel Ustra, causando muita revolta.

O coronel Ustra nasceu em Santa Maria e faleceu em 2015. Para muitos, esse senhor foi um monstro assim como os nazistas alemães que torturaram e mataram milhões de judeus na 2ª guerra. Ainda hoje, vários homens e mulheres relatam o inferno que passaram nas mãos de Ustra, que mandava dar choque nos ouvidos e nos mamilos delas, colocar até correntes no pescoço dos homens como se fossem cães. Evidente que Ustra nunca admitiu a monstruosidade. Dizia apenas que acatava a "missão" do Exército.

Para ilustrar o tema é bom relembrar a filósofa Hannah Arendt, a qual assistiu ao julgamento do nazista Adolf Eichmann, acusado de transportar milhões de judeus para o extermínio. Imagine que Eichmann também disse que cumpria ordens, não se considerando um monstro. Hannah então concluiu que ele dizia a verdade. De fato ele não era um monstro. "Era só um homem comum, terrivelmente comum, incapaz de pensar por si, como a maior parte das pessoas", defendeu a filósofa. 

Para Hannah, quem pensa se dá conta do mal, pois a maldade não pode ser coisa dos inteligentes. Assim concluímos que o holocausto aconteceu devido à obediência de milhares de servidores públicos nazistas que só sabiam obedecer a ordens. Seria o coronel Ustra um ser assim, incapaz de pensar por si? E o que dizer de Bolsonaro?          

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Educação

O termo educação é latino. Vem de “educo”, que significa fazer crescer, revelar, desenvolver de dentro pra fora. Educação não se aprende só na escola. É função da família.

Não é preciso muito conhecimento para ser educado, para respeitar o direito alheio. O demonstrativo de educação não está no rebusque das palavras. Está nos gestos, na simplicidade dos dizeres e nas ações cotidianas.

Dizem até que o mal-educado não tem cultura, mas ele tem. É a “cultura” da grosseria, da falta de tato com o semelhante.

É pelo comportamento público que se enxerga o futuro bom funcionário, patrão, político, professor, esposo, esposa, pai...

Quando uma pessoa usa ambiente público para xingamentos ou conclusões sobre alguém, ofendendo até mesmo amigos e colegas, se vê que ela desmerece a tradição passada de pai para filho.

Que dizer ainda quando vimos os famosos como a cantora Paula Fernandes, o ex-presidente Lula e tantos outros distribuindo xingamentos e palavras chulas em rede nacional?

São exemplos ao contrário, desserviços à nação, baldes de água fria nos pais e professores que ensinam nossos jovens à espera de que um dia possamos nos orgulhar desta pátria, onde a base deveria ser a educação.

Senhor lojista; que tal tomar uma atitude?

(J.Lemes)
Em tempos em que o dinheiro circula menos, todos ficam mais criteriosos ao gastar. Isso é mudança de atitude. Mas e o nosso comércio se adequou à nova postura? Não está parecendo. Quando o sino da Matriz badala às 18h, muitos lojistas já estão com a chave na porta. E é nessa hora que vários de seus clientes saem do trabalho. Pena que só conseguem apreciar as promoções nas vitrines.

Horário estendido 
Mas tem gente que entendeu o recado e fica, no mínimo, meia hora a mais esperando.  Melhor do que se manter “cravado” das 8h às 13h30. O cliente é brasileiro. Ele deixa as coisas pra última hora. Se chegar lá e der com o nariz na porta, irá noutro lugar. Exemplo: em qual hora os mercados mais têm movimento? Depois das 18h, ora! Só não vê quem não quer vender!

E no shopping? 
Em qualquer cidade, os shoppings são a salvação foras de hora. E no Ilha Bella de Santiago? É shoppings ou uma ilha, já que a prática do horário estendido ou não é estimulada ou não é entendida. No sábado à tarde, por exemplo, só a recém-inaugurada livraria Shazam estava aberta. E havia clientes. Pensem! Revejam horários, criem alternativas, tenham atitudes!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Vento

Hoje o vento 
tá rabugento, tá nojento... 
Tá fazendo "redemunho", 
andando em corrupio...
Por aqui vou mateando, 
escrevendo, soletrando...
Afinal, também sou terrunho,
redondo e meio arredio...
(João Lemes)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Para refletir

“Nem o futuro nem o presente existem. Nem se pode dizer que os tempos são três: passado, presente e futuro.Talvez fosse melhor dizer que são: o presente do passado; o presente do presente; o presente do futuro. O presente do passado é a memória, o presente do presente é a percepção, o presente do futuro é a expectativa.” (Santo Agostinho)

A legítima onça 'pintada"

Jaguari - Nesta semana uma empresa de Jaguari resolveu dar uma ‘de mão’ e repintar a oncinha que fica na entrada de Jaguari. Há poucas semanas, os vândalos a deixaram da cor dos dois famosos times gaúchos. Uma pessoa que age assim contra o patrimônio público é quem deveria estar lixando e pintando a obra, com destaque em rede nacional. Se tivesse vergonha, seria um biata remédio! 

Para refletir

“Errar é humano, culpar os outros é política.” (Jô Soares)
“Errar é humano, culpar os outros também.” (Millôr Fernandes)
“Errar é humano, desumano é culpar os outros.” (João Lemes)

sábado, 16 de abril de 2016

A doce senhora do estacionamento

Ontem fui deixar o carro num estacionamento pago. Na entrada vi uma senhora dedicada, simpática que até me informou onde seria o evento que eu iria, aqui em Santa Maria. Era tarde da noite e fiquei me perguntando: esse trabalho seria para homem, algum jovem, sei lá, mas uma mulher? Elogiei a mentalmente naquele instante...

Ao regressar, lá estava a mesma senhora. Indaguei o valor gasto: 10 reais. Dei-lhe uma nota de 50 e pedi desculpas por não ter troco, e por estar com muita pressa. Ela não disse nada. Apenas pegou o dinheiro e me devolveu o troco dobradinho. Saí rapidamente, porém, não me sofri e contei o troco. Faltavam 10 reais. Fiquei na dúvida: volto, não volto? Ela se enganou? Será? Mas numa conta tão simples?
Como bom cidadão, tentei fazer valer meu direito e voltei.

-Senhora, por favor! Vejo que se enganou aqui. Dei-lhe 50 e ganhei só 30 de volta!

Ela então pegou o dinheiro, conferiu, puxou mais uma de 10 e me devolveu sem dizer absolutamente nada. Nem que se enganou, nem que não, nem pediu desculpas. Que mais eu iria dizer? Agradeci apenas. Seria desnecessário dizer que me decepcionei mais uma vez com as pessoas. Pior ainda foi imaginar que essas mesmas pessoas, talvez doces senhoras como ela, ficam vendo o noticiário a criticar os corruptos, dizendo que há erros aqui e acolá. Elas têm razão: está mesmo tudo errado.



quarta-feira, 13 de abril de 2016

Para refletir

"Errar é humano, desumano é culpar os outros". (J.Lemes).

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Indiferença


A indiferença é um sentimento difícil de se fingir. Ele nos exige o máximo de atenção. Só assim conseguiremos mantê-lo a toda hora na mente.

A indiferença, se é ruim para quem sente, pior para o atingido. É o mais terrível dos punhais.

Deixar de ser lembrado, notado, abordado por alguém que estimamos corta mais que o ódio, a mágoa ou o rancor juntos.

Ser alvo da indiferença é ter a certeza do desdém, do desprezo.  É como estar morto sem saber. É se evaporar de repente e seguir na terra. É um "não existir" tenebroso.

A diferença faz nossa mente implorar por uma briga, por um ataque seja qual for... Qualquer coisa é melhor que o silêncio e a ignorância vindos da indiferença.

O berço da indiferença é mágoa e seu fim só pode ser a reconciliação.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Dever cumprido

A cada dia, uma missão, uma tarefa nova, uma nova realização. Como dizia o pensador Ralph Waldo Emerson, “A recompensa por uma coisa bem feita é a de tê-la feito.” E, cá pra nós, nada é tão gratificante quanto a certeza do dever cumprido. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Férias de quem?

Esta palavra nunca esteve tão em alta: férias. Ricos, remediados ou pobres, todos dão um jeito de dar uma fugida. O engraçado é que as diferenças nas férias de uns e de outros (dentro dessas classes) são conhecidas. Os mais pobres costumam dizer: “Não aguento mais este trabalho. Quero um mês inteiro de férias. Se bem que eu merecia até mais”...

O remediado diz que vai sair por quasse um mês, que volta logo por causa dos negócios, afinal, hoje ele é um quase “bem de vida”. Tem que curtir as férias, mas não deixa de dizer que pensa na empresa, no trabalho que é de onde tirou tudo o que tem...
O rico fala sempre a mesma coisa. Diz que vai se desligar, mas na verdade é o que mais pensa na empresa, no trabalho... só não revela isso na cara dura, limitando-se apenas a dizer “Vou tirar só uns dias”...

Todos querem viajar, apenas o rico vai longe. O remediado arrisca sair do Estado e o pobre até viaja (ele faz economia pra isso e talvez seja o que mais se alegre com esse “sonho”), entretanto, ele vai bem pertinho de sua cidade ou até na casa daquele parente que não viajou... Mas isso também é férias!, ora...

Lições para 2016 e para toda a vida

(por João Lemes)

Toda notícia ruim voa, diz o adágio. Então, hoje vamos rever notícias boas, lições para 2016 e para a vida toda. Entremos o novo ano com alegria e paz no coração. Vamos rever o que dizem alguns outdoors do Citibank em São Paulo.

Por que as semanas demoram e os anos passam rapidinho?; Trabalhe, mas não esqueça: vírgulas são pausas; Não deixe que o trabalho da mesa tape a vista da janela; Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma a quem você ama; Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas; Quantas reuniões foram mesmo nesta semana? Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, para tomar um sorvete; Você pode dar uma festa sem dinheiro, mas não sem amigos.

Crie filhos em vez de herdeiros; Precisamos deixar filhos melhores para o mundo e não um mundo melhor para nossos filhos; Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço. Agora, quem sabe assim você seja promovido a melhor amigo, pai, mãe, filho, filha, namorada, namorado, marido, esposa, irmão, irmã... do mundo!.

Guarde essas óbvias mensagens e repasse aos familiares, amigos e viva feliz em 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021...

sábado, 2 de abril de 2016

Futebol, 'paixão' nacional?

Os times são fábricas de arrecadação. Nasce um filho e o pai já o aliena com o símbolo e, no entanto, tudo vai pros jogadores que não ligam pro torcedor e pra quem lhes paga.

A nossa seleção, por exemplo; entra técnico, sai técnico e seguimos perdendo. E aí vem a pergunta: perdendo o quê?  

Por isso que desisti, acordei, e hoje só torço por time da minha cidade. Parece estranho para alguns, mas sigo gostando do espetáculo chamado jogo, mas sem passionalismos.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dia de visita no Expresso

O prefeito Horácio Brasil e parte de sua equipe vieram ao jornal entregar uma cesta com produtos coloniais, uma boa mostra do que se produz em São Chico. Na foto, o prefeito com o jornalista João Lemes.
Jeito Caseiro - O selo Jeito Caseiro tem feito sucesso. Os produtores estão com uma boa área para exposição e também vendem para a prefeitura usar na merenda escolar. Tudo mais saudável e mais rentável. São riquezas da nossa São Chico. 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Salto na saúde da região

Obs. com a presença do secretário estadual de saúde

terça-feira, 29 de março de 2016

Ministro Nardes em Santiago

(por João Lemes)

Gente graúda na prefeitura
Ruivo reuniu o secretariado;
Era o Nardes, lá de Brasília
que por cá deu os costados.

Tudo a portas fechadas
e Ruivo nem fez alarde;
Afinal, o inimigo não dorme,
querendo o rim do ‘Narde’.

O gaúcho diz que é taura
em Brasília do belelé;
Por aqui o PP torce por ele
principalmente o amigo Pelé.

Ninguém duvida do Nardes
de que seja um bom sujeito;
Nem seus amigos vereadores
nem mesmo o próprio prefeito.

Eu tenho lá minhas dúvidas
em tempos de bate-panela;
Na política ninguém é santo
muito menos quem nasceu nela.

Nardes foi deputado
se reelegeu e vangloriou-se
Seu prêmio foi o Tribunal
onde enfim aposentou-se.

Mas deixa está que o Nardes
algum fundamento há de tê;
Dizem que pegou pesado
pra ajudar enterrar o PT.

Ele fala que não se calou
e agiu como índio bagual;
Pegou a Dilma pelo cogote
Devido à pedalada fiscal.

Isso nos dá um alento
em meio à esta polvadeira;
Vá que o ‘impiche’ dê certo
e encerramos essa fiasqueira.

A idade do amor


Entre os adjetivos do amor estão: forte afeição por outra pessoa nascida de relações sociais, atração baseada no desejo, doação, cumplicidade, companheirismo... Amor, do latim “a-more”, significa negação da morte. De fato, o amor nunca morre. O meu não vai morrer. Eu o renovo sempre que posso. Então, mesmo estando há mais de 28 anos juntos, nosso amor tem apenas meia hora, que é a idade do último beijo que lhe dei.

Coisas que não compreendo

(João Lemes)
Por que a prefeitura de Santiago segue dizendo que as calçadas não são de sua obrigação e sim do morador se quem fiscaliza e tem poder pra multar é a prefeitura?

Por que os artistas insistem em gravar ao vivo com a plateia cantando estrofes inteiras se os fãs não compram o disco para escutar a plateia? Lá pelas tantas você sempre ouve o cantor dizer: "Agora, só vocês!". Pior é quando as rádios só rodam essas.

Qualquer hora vou a uma loja de discos achar um só com a plateia cantando. Deve ter...

Por que alguns vereadores do PT chamam as pessoas para protestar se os maiores ladrões são os membros do seu próprio partido?

Por que os donos de bares, lancherias e pizzarias colocam a TV ligada na Globo quando o objetivo do cliente é se divertir com amigos? Quem quer ver televisão fica em casa (com exceção na hora do jogo ou da notícia).

Por que alguns locutores dizem "agora são PONTUALMENTE nove horas e dois minutos e três segundos"? 

Por que muitos não querem votar para vereador em quem não lhe prometa alguma troca de lâmpada, conserto de algum buraco, algum emprego pro filho?

Por que o PMDB de uma hora para outra resolve sair do governo, se os seus líderes também estão até o pescoço envolvidos nos roubos?

Por que ninguém mais consegue fazer campanha política no Brasil sem ter que pegar dinheiro das empreiteiras?

Por que alguns aparelhos domésticos são tão barulhentos? Aqui em casa tem uma batedeira que parece uma betoneira de obras. Tantos carros com motores que você nem escuta e estas coisinhas estourando nossos tímpanos... 

Por que a semana custa tanto a passar e os anos voam?

Por que as donas-de-casa não pegam as roupas e se tocam pra barragem lavar lá mesmo? Só assim podia ser que o governo olhasse por Santiago...

segunda-feira, 28 de março de 2016

A educação precisa falar uma linguagem mais popular

(João Lemes -  jornalista e professor)
A maior riqueza do Brasil é seu povo; a maior riqueza desse povo é sua língua. É por ela e com ela que aprendemos, nos educamos e nos tornamos sociáveis. E quando se fala em língua, entram nessa seara a fala e a escrita. Lembrando que a segunda não existiria sem a primeira, porque tudo que um dia foi escrito há muito já havia sido dito. A diferença é que a escrita mantém viva a história de cada povo, sua cultura, suas crenças. Por isso que ela é o melhor mecanismo educacional.

No início da colonização brasileira (século XVI), os governos não faziam questão de passar ensinamentos ao povo. Para que ler e escrever se nada disso era preciso para se cultivar uma boa lavoura de cana ou de café? Quem não fosse da alta sociedade não tinha acesso a livros. E para piorar, os escritos ainda mantinham o português arcaico, erudito, classista, voltados ao público elitizado.

Anos mais tarde, a escrita se popularizou, mas não o bastante. Apesar do crescimento do mercado editorial, com as facilidades para se editar livros, o Brasil ainda amarga o 60ª lugar em educação, comparado a 76 países (ranking de 2014). Ainda temos 8% de analfabetos. Os números não mentem. Temos que ver onde estamos errando. Por que o país não gosta de ler?

Quando o tema é educação, tocamos sempre na tecla da leitura. E já nos perguntamos: como conseguir mais leitores? Uma das formas é tentar popularizar mais a escrita. Tomamos como base a época do modernismo. Mário de Andrade, por exemplo, está entre os que mais criticaram a gramática, dizendo que era preciso escrever de forma mais semelhante à forma falada. Ele dizia que os antigos e rebuscados modelos eram uma “arte vazia”, não entendida pelo povo. Chamava isso de “ditadura da arte”.

As épocas depois de 1922 foram de grande popularização da linguagem. Essa foi a virtude do Modernismo: deixar a  literatura mais próxima do cotidiano, de uma forma mais ao gosto do leitor. Eles resgataram a raiz da nossa arte, rompendo com as estruturas do passado que mantinham o rebusque na escrita, dificultando seu acesso e entendimento.

Nessa linha de escritores que imitaram mais a realidade está também Oswald de Andrade, que debochava da própria gramática ao enfocar a complexidade da escrita perante a fala. É dele a famosa frase “Me dá um cigarro” em vez de “Dá-me um cigarro”. Ao inverter a ordem do pronome oblíquo “me” o escritor provou que raríssimos seriam os falantes a usar a língua falada desse modo. Veja o exemplo no poema a seguir:

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Linguistas do mundo todo já provaram que ninguém gosta de ler o que não entende. Assim, o dito prazer pela leitura depende muito mais da compreensão daquilo que se lê ou que se pretende ensinar. Aí é que deve entrar um sistema simples, prático, voltado para o aproveitamento da inteligência e capacidade que cada um trouxe de berço, que herdou da compreensão de mundo.

Uma das estratégias para abrir caminho no campo da leitura é levar em conta a riqueza da variedade linguística que encanta cada região brasileira. Afinal, o que é o dicionário se não anotações que brotam do próprio falante? Aqui no sul, por exemplo, temos uma das maiores variedades da língua que vem da miscigenação de nossa gente. Por isso, é mais do que necessário que se reúna esse linguajar para usarmos na escrita.

Outro fenômeno que só se nota no RS é o sotaque castelhano, assim como a incorporação de palavras espanholas ao dito linguajar gauchesco. Essa mistura no palavreado se acentua muito na região das missões justo pela proximidade com Argentina, Paraguai e Uruguai. Nesses pagos se nota um gaúcho que se diz “guapo”, que para nós é sinônimo de forte, robusto. (Para os hermanos significa bonito).

Aqui também chamam de “bueno” ou “buenacho” quem é bom, e de “índio taura” quem é destemido.
Outra característica do missioneiro é a pronúncia do "L". Ele imita o som produzido pelos falantes da língua espanhola. A língua toca bem o céu da boca, permitindo uma perfeita pronúncia. Como dizemos também aqui no sul: o castelhano (e por consequência, o missioneiro) dobra bem a língua. Aliás, isso ajuda a evitar um antigo vício que até os letrados têm: a troca do L pelo U quando escrevem. Esse erro se deve à sonoridade muito parecida entre as duas letras.

Enquanto o resto do Brasil se liga muito na cultura americana, dando ainda mais cancha à língua inglesa, o sulino mescla seu vocabulário com termos espanhóis e diz que isso é tradicionalismo. Prova de que essa influência verbal é seu orgulho. Usamos "peleia" em vez de briga, bem como faz o falante espanhol. O campesino também usa um E bem declarado, outra referência latina. Seja pela música, pela dança, pelo chimarrão ou a bombacha, o gaúcho se mistura, se integra e unifica o linguajar.

O educador que observar bem esses fenômenos, tendo como exemplo o gaúcho missioneiro, passará a adotar uma linguagem mais identificada com a cultura desses povos e, automaticamente, estará facilitando a compreensão dos textos e, com isso, conquistando leitores. A soma de tudo isso será mais gente empunhando livros.  Livros para ler e, principalmente, para interpretar, já que a leitura sem a devida compreensão não fará sentido algum em nossa jornada pela educação.

Evolução

"Quem muda de conceitos, opiniões e posturas não põe à mostra nenhuma fraqueza ou incapacidade; revela amadurecimento, humildade e inteligência, boas provas da evolução." (João Lemes).

terça-feira, 22 de março de 2016

Reflexão

"A saudade não é coisa tão ruim assim. Basta ver de outro ângulo. Ao mesmo tempo em que agranda a distância, encurta os amores". (João Lemes)

terça-feira, 1 de março de 2016

Vai faltar cadeia?

A notícia jurídica da semana é que o STF (Supremo Tribunal Federal) antecipou a possibilidade de execução das penas depois de julgadas em primeira e segunda instâncias. Assim, muitos réu podem começar a cumprir pena antes de uma 3ª decisão. Muitos já estão perdendo o sono, já que haverá aceleração dos casos, resultando na prisão de quem se beneficia com essas demoras. 

Um exemplo é a Operação Rodin, de 2007, contra 44 envolvidos na fraude do Detran-RS, num desvio de 90 milhões. Hoje 25 réus estão condenados na Justiça Federal de Santa Maria. Entre eles há até advogados que continuam trabalhando. Outro exemplo é a fraude de 10 milhões contra o Banrisul com 25 denunciados entre políticos, diretores, comerciantes. O fato curioso é que, se apenas 20% dos já condenados forem presos, não resta dúvida: vai faltar cadeia.

Pela constituição, ninguém é culpado até julgamento final. Ouvi opiniões e optei por este desfecho: a constituição deve ser vista em consonância com a realidade. O entendimento é justo porque os recursos ao STF analisam mais as questões de Direito ou falhas na condução do processo. Nessa visão, o indivíduo terá seu 3º julgamento, só que já estará cumprindo a sentença, dando remédio mais efetivo aos crimes. Óbvio que o sistema não tem onde colocar mais presos. Nesse ponto é que está o erro dos ministros.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ladrões grandes e ladrões pequenos

Nestas épocas em que se descobre muita corrupção nos governos, quase todo bom brasileiro critica esses atos e grita na frente da TV ou ao ler o jornal: “Fora, ladrões!” Mas será que todos fazem sua parte? Será que nos comportamos dignamente perante o nosso chefe?, ou na primeira oportunidade também “misturamos os dinheiros?”.

O roubo praticado pelo governo ou pelo cidadão tem o mesmo peso no caráter. Parece óbvio, mas é preciso ser dito: o que separa o grande ladrão do pequeno é a chance e o montante que gira em cada mão. Quem lida com pouco, rouba pouco, quem lida com mais, rouba mais. Parabéns a você que não se inclui em nenhuma das opções.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Música ou assassinato?

Podem me chamar de nojento, mas ouço nativas, gaúchas e até bandinha, mas não engulo porcarias que só fazem apologia à bebida, à vagabundagem. Certo dia ouvi essa coisa numa rádio e fiquei mais furioso ainda ao saber que os cantores eram Fernando e Sorocaba. Compreendi o porquê de existir centenas de CDs deles pela cidade sem ninguém querendo rodar. Um resquício do malfadado show que iriam fazer em Santiago. Do que nós escapamos! E ainda dizem que os caras são os melhores do momento. Que momento!

“É que hoje é um dia especial, é dia 10 e o que é que aconteceu? Papai recebeu, papai recebeu. Eu tô patrão, hoje eu tô pagando tudo, avisa que o after vai ser no apartamento superluxo. Ainda falta muito pra eu ficar ‘bebo’, ainda falta muito pra eu ficar louco, Ahh! Uma noite pra mim é pouco...”

Depois que quebrei o rádio, liguei numa dessas emissoras pela internet e que só rodam coisas buenas, coisas nativas, gaúchas, como a Rádio Saudade. E não é que engataram uma meia-dúzia de Os Mateadores, a maioria na voz do meu irmão Édson Vargas? Não me sofri e liguei pra ele e sampei: “Você, o Miguel Marques, o Júlio Saldanha e o Nenito são nossos maiores expoentes nativos, uma arte que o Brasil não conhece como deveria. Sou feliz por vocês, sou feliz por Santiago e pela minha gente que sabe fazer cultura, que sabe fazer música”.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Conscientização x comportamento



(João Lemes - jornalista - Santiago, RS) 
Dizem que comportamento não tem nada a ver com inteligência. A pessoa pode ser doutora numa coisa e nota zero noutra.
Exemplo: Ela pode ler 50 placas para não jogar lixo e para não andar com seu cusco na praia, mas ela sempre dá um jeitinho. No fundo acredita que as regras não foram feitas para ela...
Na praia. As mais madames, os mais endinheirados, (aparentemente com mais inteligência e educação) são os primeiros a quebrarem essas regras. Lá estavam com seus cães ou andando de bicicleta na calçada tendo via de ciclista ao lado...
Já o fumante parece ser relaxado por devoção. O "prazer" é tanto que ele nem liga se os outros ou a natureza vai se incomodar com a fumaça e suas bitucas.
E o que se deve fazer em relação a isso? Infelizmente só tem um caminho: seguirmos com a bendita conscientização, isso se o cigarro já não matou esse senso na cabeça de alguns...
Hoje destaco esta frase que vi na calçada à beira-mar em Torres. Se ela tocar 5% dos que leram, já seria um grande progresso. "São milhares de bitucas dos molhes à praia; o lucro é da Souza e a cruz é de toda a vida marinha."

Ah, se os jovens vissem isso!

(J.Lemes)
Ao ver essa simpática senhora de quase 80 anos na praia de Torres fui logo indagando sua idade, seu ritmo de vida. Pra não amolar muito, comprei as roscas e agradeci. Ela de pronto lascou esta: "Não vai me perguntar mais nada? Sabia que durmo bem, como bem, não tomo remédio e ando o dia todo vendendo roscas? E ao fim do dia quando me perguntam se vou pra casa descansar, digo que agora é que vou trabalhar! Sim! Vou fazer mais uma fornada. Até agora eu só tava descansando".

Só me restou perguntar de onde vinha essa energia toda. Aí ela disse: "A vida é ótima e a cada dia tenho mais força pra viver. Do meu tralho tiro a alegria e das pessoas, o incentivo. Ah!, e não esqueço meu aperitivo".
Na foto, dona Imelda Ros e João Lemes.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Férias de quem?

Esta palavra nunca esteve tão em alta: férias. Ricos, remediados ou pobres, todos dão um jeito de dar uma fugida. O engraçado é que as diferenças nas férias de uns e de outros (dentro dessas classes) são conhecidas. Os mais pobres costumam dizer: “Não aguento mais este trabalho. Quero um mês inteiro de férias. Se bem que eu merecia até mais”...

O remediado diz que vai sair por quasse um mês, que volta logo por causa dos negócios, afinal, hoje ele é um quase “bem de vida”. Tem que curtir as férias, mas não deixa de dizer que pensa na empresa, no trabalho que é de onde tirou tudo o que tem...

O rico fala sempre a mesma coisa. Diz que vai se desligar, mas na verdade é o que mais pensa na empresa, no trabalho... só não revela isso na cara dura, limitando-se apenas a dizer “Vou tirar só uns dias”...

Todos querem viajar, apenas o rico vai longe. O remediado arrisca sair do Estado e o pobre até viaja (ele faz economia pra isso e talvez seja o que mais se alegre com esse “sonho”), entretanto, ele vai bem pertinho de sua cidade ou até na casa daquele parente que não viajou... Mas isso também é férias!, ora...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

9 mil litros:
O custo em água para
se produzir um bife

(por João Lemes - jornalista)
Tudo se resume em água. Podemos viver sem petróleo, aguentamos longe sem comida, mas sem água não dá. E o gasto é enorme, o cuidado é pouco. Reparem quanto custa em litros d’água alguns pratos desde a produção até chegar a nossa mesa: um pãozinho consome 65 litros, uma xícara de café, 120; uma porção de batata frita, 100; um ovo, 165; uma porção de arroz, 350 e um bife, para se ter um bife apenas se gasta 9 mil litros. Sim, o boi é um grande bebedor de água.

A melhor água
do mundo

Em Santiago temos a melhor água do mundo para a gente colocar (de 8 a 12 litros) no vaso sanitário pra eliminarmos um simples xixi. E mais: passamos sentados, bebendo e fumando ou dirigindo em alta velocidade, tomando remédio sem receita, comendo carne gorda... ah, mas na hora de bebermos água, só queremos mineral, como se a da Corsan não fosse a melhor. Mas já que exigimos água com tanta qualidade, vamos exigir uma natureza melhor cuidada e uma cidade com menos desperdício. Exigir de verdade, exigir de todos, principalmente de nós.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A licitação

(João Lemes - jornalista -  Santiago)
Certa vez houve uma licitação para a construção de uma ponte internacional. Vários países participaram da concorrência. A empresa de um grupo português pedia um milhão pelo serviço. A dos americanos, dois milhões; a dos brasileiros, três milhões. A comissão de licitação quis saber o porquê da diferença discrepante em relação ao preço dos portugueses. O representante americano então explicou:
- Um milhão é o custo da obra. Mais 500 para algumas despesas extras e os 500 nós repartiremos com vocês.
O brasileiro também foi questionado:
- É simples. Um milhão pra nós e outro para vocês.
Insatisfeitos, os contratantes ainda questionaram:
-Tudo bem, mas e o outro milhão, pra quem vai?
- Ora, senhores! Será dos portugueses! Afinal, alguém terá que fazer a obra!
*Ganha um fusca com schin dentro quem acertar os vencedores da licitação.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Emoções


(Sobre a toalha do Grêmio queimada)
Onde está o homem, está a emoção. Da emoção vem o impensado. Pronto! Aí está a polêmica. A dita toalha gremista queimada gerou muito debate, mais que qualquer outro assunto bem mais sério. Fazer o quê. As pessoas não andam por aí ligadas a temas sérios. Querem polêmica, venha de onde vier. E de nada adianta fazer e não contar. Assim, quem fez, contou! Aí, depois do malfeito só resta uma coisa: admitir e se retratar.

Alguns acusam a mídia, como fez meu amigo Binho Gomes (Consulado do Inter). “O Nova Pauta não deveria ter divulgado aquilo. Onde já se viu?”. O problema é que, nessa hora, e de novo graças à emoções, queremos achar outros culpados. Não fujo da culpa. Quem sabe eu não deveria mesmo ter divulgado! Quem sabe eu deveria seguir vendo os bombardeios nas redes e fingir não ter visto... Nem atendido aos apelos de muitos leitores.

Embora não seja colorado nem gremista, sei que o jogador vive dos seus pés. Todos sabem também que vivo da imprensa. É assim há 30 anos. Então, não me venham pedir pra dar a única coisa que tenho pra vender. Portanto, não peçam pra me calar e tirar o direito dos leitores. Quando é público, tudo tem o interesse público. Que me perdoem os envolvidos, mas minha profissão consiste em divulgar o que julgar interessante, até certas emoções...


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Os bares e as TVs


Já fiz pesquisa aqui e fora do Estado. Até no exterior eu pesquisei. É regra! Em todos os bares, sempre tem uma TV ligada num canal à toa ou, caso do Brasil, na Globo. Passe o que for, lá está a TV na Globo. Em muitas vezes tem até um pobre artista num canto do estabelecimento se desdobrando pra agradar, mas a TV segue na Globo. Por vezes, não tem nem som, mas segue ligada. Por vezes, muitos nem olham. Aliás, é outra pesquisa que faço: quando muito dá um olhando. Nem o dono olha.

A razão pra não ter TV ligada é simples: você vai pro bar pra conversar, beber, ouvir música, se divertir com amigos, não para ver televisão. Até em consultórios vejo as TVs nas novelas. Se bem que aí é outro papo. Também é aceitável em restaurante que mantém a TV ligada no noticiário. Aí, tudo bem, desde que alguém consiga ouvi-la ou tenha legenda. 

Em tempos modernos, de mídia fácil, alguém poderia fazer vídeos dos pratos da casa, de alguém famoso que foi lá certa vez, dos clientes... Esse material poderia ficar rodando na dita TV. E dá pra fazer muito mais! É só ter criatividade. Até clipe com música ou alguma paisagem ajuda. Essa história de que a TV ligada serve de ‘enfeite’ é pura bobagem. Esse tempo se foi! O negócio é pensar, criar e inovar! 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Lições para 2016 e para toda a vida

(por João Lemes)

Toda notícia ruim voa, diz o adágio. Então, hoje vamos rever notícias boas, lições para 2016 e para a vida toda. Entremos o novo ano com alegria e paz no coração. Vamos rever o que dizem alguns outdoors do Citibank em São Paulo.

Por que as semanas demoram e os anos passam rapidinho?; Trabalhe, mas não esqueça: vírgulas são pausas; Não deixe que o trabalho da mesa tape a vista da janela; Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma a quem você ama; Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas; Quantas reuniões foram mesmo nesta semana? Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, para tomar um sorvete; Você pode dar uma festa sem dinheiro, mas não sem amigos.

Crie filhos em vez de herdeiros; Precisamos deixar filhos melhores para o mundo e não um mundo melhor para nossos filhos; Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço. Agora, quem sabe assim você seja promovido a melhor amigo, pai, mãe, filho, filha, namorada, namorado, marido, esposa, irmão, irmã... do mundo!.

Guarde essas óbvias mensagens e repasse aos familiares, amigos e viva feliz em 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Peças da mente

(João Lemes)*
Nossa vida é feita de bons e maus momentos; de tristeza, alegria... Sabemos também que quase tudo depende da nossa cabeça. O pensamento pode ser benéfico ou nocivo, positivo ou negativo. Pode ser criativo, sublime ou frustrante e destruidor.
Durante o dia temos mais de 50 mil pensamentos, muitos deles desnecessários. Alguns são como tempestades que nos açoitam e acabam virando nossos eternos companheiros. Algo para nos deprimir, nos enfraquecer, nos fazer tristes.
Toda carga errada de pensamentos nos fadiga, nos deixa com preguiça, falta de atenção e com pouca criatividade. Mas se tivermos pensamentos positivos, a inspiração volta. Ficamos alegres e passamos a criar mais e viver melhor.
Por isso, não é bom ficarmos dando voltas naquilo que não nos leva a nada. Vamos parar também de planejar tanto: reuniões, festas, encontros, tarefas. Isso nos deixa presos e quando algo falha, lá vem frustração!
Vamos parar de usar o subjuntivo “se”. “Se eu tivesse pensado melhor isso não teria acontecido.” “Se eu estivesse lá tudo seria melhor.” “Se eu tiver o diploma meu chefe vai me valorizar mais.”
Neste ano novo tente ser melhor para os outros e para si. Para que isso dê certo, trate de limpar a mente, treinar bons pensamentos. A vida é uma só e o que não tem solução solucionado está. Pense nisso! E não esqueça: tudo é exercício. Aprenda a exercitar sua mente com bons pensamentos e faça disso um hábito, um caminho para viver bem.

*(Baseado no artigo da escritora espanhola Mirian Subirana)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O preço nos produtos também é informação

A função da propaganda é informar. Com ela, todos ficam sabendo quando um produto é lançado, os detalhes, em que loja é vendido. Tudo é informação. A principal é o preço. Não adianta saber detalhes (tamanho, modelo, cor) sem saber se está ao alcance do bolso. É o preço que dá o desfecho na compra. E por que algumas lojas mostram tudo, menos o preço? Por medo da concorrência ou por pensar que o preço iria vulgarizar o estabelecimento ou produto. Ou ainda; para tentar forçar o cliente ir à loja perguntar.

Nas vitrines o preço no produto é obrigatório! Poucos cumprem isso também. Já um anúncio com a informação pela metade vira um gol contra porque leva menos gente à loja. Poucos têm tempo e paciência para ligar perguntando. Até se irritam, já que tudo poderia estar ali, na propaganda. E essa mesma concorrência que faz alguns evitarem a divulgação do preço muitas vezes é justamente quem sai ganhando porque coloca os preços nos seus produtos.

Vejam um exemplo de que o preço funciona: certa vez me deparei com vários restaurantes em Santa Catarina. Todos eram de nível semelhante, mas não quis chegar em nenhum. Lá pelas tantas, vi uma placa bem feita e objetiva mostrando alguns dos pratos da noite e não resisti. O lugar eu já havia notado que era dos bons. O cardápio eu vi na placa sem precisar descer do carro. Mas isso não foi a causa da minha decisão. Será que preciso dizer que foi o preço?

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cleptocracia


Essa palavra é nova? Para nós, brasileiros, pode ser. Então vamos tentar explicar: conforme o ministro Gilmar Mendes, mais de 6 bilhões desviados das estatais como a Petrobras e outras, eram destinados à propina. E se 1/3 disso foi para o PT, ele teria dois bilhões, dinheiro para fazer campanha até 2038. Uma forma fácil de se eternizar no poder. E as famosas estatais que não podem ser vendidas, que é bom pro povo? Povo uma ova! Bom para eles, para o PT. Assim, eles podem usar e abusar do que é público. Então, o que se instalou no país? Foi uma tal cleptocracia. Aqui pra nós e leitores: a governança do roubo! Por isso, peço a todos que têm poder de voto: não elejam mais ninguém que defenda, apoia ou ainda acha bonitas as atitudes desses ladrões e safados do PT adeptos da cleptocracia.

Obs. Desde a antiga Grécia o homem sonha com um governo perfeitamente democrático, eficiente e honesto. Ainda vivemos essa utopia?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Escreva bem


Você também escreve 
tudo em caixa alta?

Seguidamente percebo que muitos abusam das palavras em caixa alta (em letras maiúsculas) pela rede social ou nos e-mails. É bom frisar que os textos assim podem significar falta de etiqueta (ou até falta de educação) por representar fúria e parecer que a pessoa está gritando. 

Por vezes, também retrata preguiça. Ou seja, mesmo que a pessoa note a tecla “caps lock” pressionada (fixar as maiúsculas), a deixa assim. Também demonstra a preguiça em ter que apontar as maiúsculas dos nomes próprios. Resumindo: fica mais fácil escrever algo todo em maiúsculas do que ficar a toda hora apertando a bendita teclinha. Mas é bom pensar um pouquinho em quem vai ler, única razão de um texto. Essa leitura ainda fica muito mais difícil por ser com letras do mesmo tamanho.

Obs. Caso você faça isso, da próxima vez lembre-se: essa prática não é a mais correta, muito menos para professores, advogados, doutores e comunicadores. Espero te
r ajudado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Para os que amam os carros

Dizem que muitos não ficam brabos se mexerem com sua mulher, mas com seu carro... Sim. o automóvel virou o sonho do brasileiro. A casa pode ser humilde, porém com um carro na garagem. Mesmo que seu uso seja pouco devido ao preço da gasolina, ele está ali.

Sabiam que até 1900 não havia um carro sequer? Que os primeiros só atingiam 30km/h e gastavam mais água que gasolina? É que bastava uma subidinha para o motor ‘ferver’. Também não andavam à noite porque os faróis eram a querosene e clareavam pouco.

Mulher não dirigia. Era preciso ser mecânico. E quando um pneu furava, haja força para trocá-lo. A pessoa se sujava toda. Até para dar partida no veículo tinha que ter músculos. Caso a manivela escapasse, poderia decepar um braço.

O professor Geoffrey Blainey em seu livro “Breve História do Século XX” diz que os primeiros carros causaram alvoroço em Nova Iorque em 1902. Todos se queixavam do barulho, do mau cheiro e da correria que ameaçava pedestres e cavalos.

O americano Henri Ford foi um dos pioneiros. Seus carros ganharam o mundo. Em pouco tempo o jovem que se criou no campo era o mais comentado do planeta. Em 1930 seus modelos já tinham teto e vidros nas janelas, freios hidráulicos, motores mais silenciosos... Em Santiago teve gente vendendo até três quadras de campo pra comprar um carro.

A evolução do automóvel foi tanta que hoje quase todos têm um (dois ou três). As ruas estão cheias. Não se sabe o que fazer com os antigos. Até as fábricas estão lotadas sem ter para quem vender. E quanto ao mau cheio e barulho? Bom; isso é coisa do passado. O que incomoda hoje são as músicas em alto volume e a falta de lugar para estacionar. Ah, e a correria e o perigo continuam também...

Legenda:
O santiaguense Cássio Peixoto é um dos poucos que ainda tem um Ford V8 1932 comprado por seu pai Dilon Peixoto. A raridade está avaliada em 180 mil. 

O imbecil da rede social

Um dos maiores fenômenos dos últimos tempos é a rede social. Ela estreita caminhos, ajuda a fazer amigos, ‘nos divulga’, serve para negócios, diverte, educa, ensina. Aliás, a internet seria para isso. Seria... Hoje há 80 milhões de brasileiros acessando a internet pelo celular e a maioria tem seu “face”. Mas e quantos usam com os propósitos acima? Raríssimos. O que fazem é zombar dos feios, dos gordos, dos pobres, dos gays... Também proliferam os boatos e a violência visual mostrando cenas terríveis com gente morta ou rebentada. Serve ainda a muitos crimes de falsificação e aos apelos sexuais proibidos.  

O filósofo Umberto Eco diz que a tecnologia na informação deu voz aos imbecis. “Antes eles falavam essas coisas num bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar ninguém. Mas a Internet promoveu o idiota a dono da verdade. Por isso, os jornais devem fazer boa filtragem porque ninguém sabe nem se um site é confiável", ensina o escritor. Como vimos, ele não quer banir os idiotas. Apenas faz uma constatação. Seu intuito é nos ensinar a separar as tolices e não compartilhá-las para não corrermos o risco de também virarmos um imbecil da rede social.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

A praga da corrupção

(João Henrique Lemes)
Muitos dos maiores problemas de todo o mundo têm suas origens em pequenos atos errôneos. São “insignificantes” delitos que se perpetuam até a fase adulta. O pior é que a gravidade dos atos vão aumentando à proporção do tempo. Quando se percebe, essa “praga” está instalada em todos os governos, nas empresas e até nas famílias. E nos países onde a educação é precária, onde as leis são mal-aplicadas a praga se mostra ainda mais voraz. 

Desde criança, muitos se deparam com tentações que levam à prática de coisas erradas. Como é da nossa natureza, a espécie humana sempre visa o melhor para si, não importam os meios. A crise econômica que vive o Brasil é um exemplo disso: Ela é consequência dos atos corruptos dos políticos e de quem atua diretamente com eles. Por incrível que pareça, esse marasmo também começou com pequenos desvios. Nenhum ladrão assalta um banco de primeira. Todos começam dando jeitinhos daqui e dali, fazendo pequenos saques. 

Depois que a praga corruptiva virar epidemia, o remédio pode se tornar ineficaz. A base teórica para entenderemos isso vem do que afirmou o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “É mais fáci lidar com uma má consciência do que com uma má reputação”. 

Por sermos seres racionais, com instinto regrado pela natureza, mantemos em nós o egoísmo para tirar vantagens sobre os outros. Então, a mudança deve começar bem cedo pelas mãos dos governos e dos educadores. Soubemos que ninguém conseguirá exterminar esse mal, mas com educação, cultura, a prática da ética e dos bons costumes desde a infância nos levarão a um mundo bem melhor e com menos corruptos.