quarta-feira, 31 de julho de 2019

Dicas para uma boa linguagem

(por J.Lemes) 

Em cima do palco
Normalmente se diz: “Aqui, em cima do palco”.  O palco é sempre um lugar elevado. Portanto, seria inadequado acrescer “em cima”. Basta dizer “aqui no palco”.

Em mãos
Quando algo é entregue diretamente à pessoa, é entregue “em mão” e não “em mãos”.

Em anexo
Quando algo é enviado junto, ele “vai anexo”, não “em anexo”.

Eis aqui
Quando se diz “eis aqui”, exagera-se na frase porque “eis”, significa “aqui”.

Vagas abertas
Muitas empresas dizem “temos vagas abertas para contadores”. Ora, se não estiver aberta, não é vaga.

Limite e teto
O plano dos servidores está no “limite máximo”. Se for limite, só pode ser máximo. O mesmo vale para teto e piso (mínimo).

Erário público
Todo erário é publico.

Nível normal
O rio atingiu seu nível normal. Não existe nível anormal.

Vive às custas do pai
Ele só pode viver à custa. “As custas” são valores de um processo.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

“O futebol é popular porque a estupidez é popular”

O pensador e escritor argentino Jorge Luis Borges diz que “Os estádios estão caindo aos pedaços. Hoje tudo é encenado na televisão e no rádio. A falsa emoção do locutor nunca te fez suspeitar de que tudo é uma farsa? O futebol e toda a gama de esportes pertence ao gênero do drama, realizado por um único homem em uma cabine ou por atores uniformizados diante das câmeras de TV”, exemplifica.

“O futebol está muito ligado ao nacionalismo, algo que só permite afirmações e descarta a dúvida, a negação... é uma forma de fanatismo e estupidez”,

Obs. Eu sei que o futebol é mito. Sei que não vivemos sem mito. Sei que muitos vão me jogar pedras por isso, mas sei também que muitos não vivem sem ódio. Assim, aproveitam-se do futebol para extravasar a raiva contra seus irmãos. Às vezes, como na política, com o uso da força bruta. Pobre bicho homem.

sábado, 13 de julho de 2019

Só a verdade vos libertará

Esse conceito é do apóstolo Paulo pode ser antigo, mas segue atualíssimo. Ainda naqueles tempos, ele tentava nos abrir os olhos para o emaranhado de opiniões e criações mentais postas como verdades. Ele já previa a pós verdade.  É quando muitos acreditam naquilo que eles próprios inventam. Cada vitorioso ou propenso à vitória, se julga no direito de dizer a sua verdade e, às vezes, usa até o conceito bíblico para reforçar sua tese.

É quando o sujeito não quer saber das verdades reveladas pela ciência ou pela natureza. Exemplo: Há anos, muitos diziam que o cigarro não gerava câncer, mesmo com evidências cristalinas. Só que essas pessoas eram justamente fumantes e acreditavam, se enganavam ou queriam acreditar nessa verdade. Assim segue ocorrendo com a maioria. Quando algo nos atinge, nosso eu não quer arredar pé dessa zona confortável. Prefere negar a verdade estampada, escancarada... prefere a sua verdade, a pós verdade. 

Diante de tanta inverdade, nota-se a árdua tarefa de milhares de professores, a de "professar" a verdade dos livros, a verdade científica, que embora possa durar pouco, é a única forma de tentar  viver de maneira correta. E voltando a Paulo e seu conceito de que só a verdade nos libertará, vale lembrar que ela pode ser amarga, pode nos fazer sofrer, entretanto, a compensação virá em forma de paz e sabedoria.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Sabe por que a gente se apega a objetos do passado?

Internado onde passei parte da infância, em Cruz Alta.
(Jão Lemes)* Sempre quis saber por que a gente se apega a bens materiais do passado que nos trazem de tudo um pouco, principalmente algo confundido com nostalgia, angústia, alegria, saudade... não sabe o que bem o que é não tem como saber mesmo. Porém, lendo um estudo do neurocientista Pedro Calabrez, soube que existe uma palavra que define essas memórias. Seria “memento”, “objeto guardado para lembrança” como  fotos de um ex-amor, sapatos antigos, carros etc. Eis um exemplo de que nós só existimos de fato graças à memória. Somos escravos dela. Nossa identidade está presa à memória.

Quando esses objetos (ou lugares) são vistos, na realidade nós estamos com saudade das pessoas com quem vivemos, saudade de uma vida feliz ou saudade de nós mesmos. E é aconselhável que nos apeguemos a isso (de uma forma equilibrada) para que a gente alimente essas memórias. Para que elas não morram em nós. Para que sigamos vivendo com saudade, nostalgia, com certa angústia... mas vivendo.
*(Jornalista e professor -  Santiago -  RS)

Evolução

A filosofia nos ensina que a prova da nossa evolução se percebe no aprimoramento do gosto. Então, não ligue se você já come as mesmas comidas, já não ouve as mesmas músicas... Isso é evolução.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Hoje eu só quero chorar...

Quero chorar pelos injustiçados, pelos que apanham da vida, pelos que não pensam em si... Chorar pelos que erram, pelos que acertam e não são compreendidos...
Chorar pelos que partiram sem realizar sonhos, sem dar adeus... Quero chorar por você que não chora, por todos e por mim. Quero chorar porque chorar faz. Chorar nos remete à nossa essência e nos torna mais humanos. (J.Lemes)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Que tal nascer velho e morrer criança?

Como no filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, o homem deveria nascer velho e morrer criança. Porque a gente aprende quase tudo e depois, que se torna uma pessoa melhor, morre. Fosse ao contrário, também sofreríamos menos com mazelas da vida.

Como é interessante voltarmos a ser criança depois de uma idade. Não acho isso de total ruim. Pode ser para os familiares, não para a pessoa. Ela sofre menos, creio. Vejam essa senhora no asilo de Jaguari. Ela não teve filhos. Talvez por isso, adotou uma bonequinha e passa seus dias “cuidando dela”. A gente sofre; ela, talvez não.

E se você anda triste, sem razão para viver, visite um asilo. Verás a carência deles (não por falta de cuidados), por falta de nosso amor mesmo. E dar amor, traz amor. Você sairá de lá com outra cabeça e com mais vontade de viver. Verás que, no final das contas, o filme tem razão: todos somos muito crianças, não importa a idade.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Giro crítico e noticioso

DITADURA - Remédio amargo
O governo federal distribuiu vídeo em defesa do golpe de 64. “A derrubada de João Goulart do poder, que marcou o início do período de 21 anos de ditadura militar, foi apenas um movimento para conter o avanço do comunismo. A notícia tomou conta das redes com opiniões diversas. Os mais sensatos dizem que o golpe foi um “remédio amargo” e que nunca mais querem prová-lo. 

Engolindo frango
O Brasil abrirá escritório diplomático em Jerusalém como extensão da embaixada. O discurso de Bolsonaro já não é o mesmo da campanha, quando falava em extinção geral de qualquer escritório brasileiro naquele país. Ele viu que o Brasil perderia 11 bilhões em exportações para o mundo islâmico, principalmente de frango.

A Dupla Sandy e Júnior e a Justiça
Dia 21 de setembro a dupla Sandy e Júnior cantam em Porto Alegre. O curioso é que a turnê Nossa História está sob investigação federal em Brasília e agora foi alvo de novo processo por irregularidade nas vendas de ingressos em Paranaíba (MS). Duas fãs conseguiram uma decisão judicial que obriga a Ingresso Rápido a vender duas entradas premium sem taxa de conveniência para o show de São Paulo, em agosto.

Remédios mais caros
O governo federal autorizou reajuste de até 4,33% no preço dos remédios. As empresas produtoras de medicamentos poderão ajustar os preços de seus medicamentos em 31 de março de 2019.

Temporada de caça aos pardais
O presidente disse que barrou a instalação de 8 mil radares nas rodovias federais. Segundo ele, esse número considera os pedidos prontos que foram levantados pelo Ministério da Infraestrutura. “Determinei de imediato o cancelamento de suas instalações. Sabemos que a grande maioria tem o único intuito de retomo financeiro ao Estado”, afirmou.

Mais mudanças - Ainda destacou que o processo de fiscalização deve ter mudanças. “Ao renovar as concessões de trechos rodoviários, revisaremos todos os contratos de radares verificando a real necessidade de sua existência”.

Quanto mais radares, mais segurança...
Muitos especialistas em trânsito dizem que os radares obrigam o motorista a trafegar na velocidade certa. Quanto mais radar, mais segurança. O mau motorista coloca os outros em risco quando acelera e freia ao saber onde os radares estão instalados. O radar é para controlar esse comportamento infracional.

Obs. Na região, só há um radar funcionando na federal 287. 

VERBALIZAÇÃO

O verbo no infinitivo (verbo em seu estado natural) não fica bem em certas frases. Isso tem sido a moda nacional para economizar palavras. A economia é boa, mas, nesse caso, a língua portuguesa, nossos ouvidos e olhos sofrem.

“Governo Bolsonaro é contra DEFINIR critério para tráfico.”

MELHOR:
“Governo Bolsonaro é contra a uma POSSÍVEL DEFINIÇÃO de critério para tráfico.”

Obs. 
Seria interessante o uso de substantivo em vez do verbo. Vejam:

“Quase todos se referem a CRIAR datas festivas, INCLUIR eventos no calendário oficial do Estado, como de relevante interesse cultural.”

“Quase todos se referem à CRIAÇÃO de datas festivas, a INCLUSÃO de eventos no calendário oficial do Estado, como de relevante interesse cultural.”

quarta-feira, 13 de março de 2019

Mataram PELO MENOS?

“Na manhã desta quarta, um adolescente e um homem mataram, pelo menos, dez pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano”.
É dramático ver isso acontecer no Brasil e as pessoas ainda escreverem “pelo menos”, expressão que há tempos está atrelada à compensação. “Pelo menos um se salvou; “pelo menos alguém ajudou” etc.
Mais correto seria usar “no mínimo” dez morreram...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Quanto se gasta para agradar um amigo?

Estava pensando no que o padre me ensinou no curso de noivos.
- João, quando estiver longe, junte uma fruta - até um coquinho - e traga para a Suzana.
- E se não tiver fruta, padre?
- Ora, até uma pedrinha da rua serve.
- Que a Suzana fará com uma pedrinha?
- Nada. Mas fará muito com o seu gesto de amor, pois a pedrinha será a prova de que, mesmo distante, pensaste nela.

O amor entre o casal é algo a ser regado todos os dias. Assim como o amor entre amigos.

Dia destes um amigo chegou na redação com uma sacola de butiá, dizendo que outro amigo havia me mandado.
- Mas como ele sabia que eu gostava de butiá?
- Não sabia. Ele apenas sabe que você é amigo dele, portanto, ficará feliz ao saber que ele lembrou de ti.

De fato, como no caso da pedrinha para Suzana, os butiás tiveram a importância da melhor fruta do mundo. E querem saber? Eu sempre adorei butiá. Depois fui pesquisar e descobri que essa frutinha tem diversas vitaminas, é antioxidante e até combate o câncer.
Muito obrigado, amigo João Leonel (Neca)!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

EU CONTO COM VOCÊ?

Só posso contar com você.

(J.Lemes) O verbo contar, a meu ver, só se pode usar quando se referir a pessoas. Embora seja aceita, a frase "a escola conta com 100 salas" me parece fora de contexto. (A escola possui 100 salas).

Você só pode "contar" com pessoas. Conto com você, hoje, Paulo. Não vai falhar!

E essa de agora, numa grande mídia? Creio que tenha passado todos os limites do bom português. Em vez de alguém, é o Estado quem conta. Em vez de se contar com outro alguém, é com equipamento que se conta, aliás, algo que não funciona. Ou seja; conta com algo que não se tem. Vejam:

"As rodovias federais do Rio Grande do Sul contam com uma forma a menos de fiscalização. Tanto lombadas eletrônicas quanto pardais não estão registrando infrações desde 14 de janeiro de 2019".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

SUA EXCELÊNCIA, O FATO

(J.Lemes) O Brasil segue em preto e branco. As pessoas só vêm dois lados. O bom e o mau. O santo e o ladrão. Nas redes, cada um opina guiado pelas paixões. Não vê erro naquele que ama. Vê tudo naquele que odeia.
Xingam a imprensa. Dizem que ela puxa para cá e para lá, mas nunca a imprensa foi tão importante. Desde os escândalos do petrolão até o maior roubo da história, que foi o saqueamento da Petrobras e, agora, do BNDS.
Hoje, nosso presidente Bolsonaro deu um legítimo exemplo de estadista: "Se Flávio errou, ele terá de pagar e eu lamento como pai". O falecido deputado Ulysses Guimarães já dizia; o que deve predominar é a “sua excelência, o fato”.
"Dois tipos de pessoas combatem a imprensa: os ignorantes, que não a conhecem, e os delinquentes, que a conhecem muito bem." (João Marcos Adede Y Castro - ex-promotor)
URGENTE!
Para finalizar, digo mais uma vez que todos devemos torcer para que o governo dê certo. Como disse hoje o presidente, "a primeira coisa a fazer é a Reforma da Previdência, ou o país vai entrar num colapso econômico". Concordo em gênero, número e grau.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Quer uma vida plena? Deixe para trás o ressentimento

(João Lemes) - Nestes tempos de emoções destemperadas, do predomínio da intolerância, vamos relembrar Nietzsche. Para o filósofo, nada tortura tanto o homem quanto o ressentimento. Ele sempre acha que deveria ter mais amigos do que tem, mais ganhos do que consegue, mais vitórias do que lhe couberam... Aos poucos, vai alimentando retaliações imaginárias e julgamentos finais.

O ressentido busca o alívio da dor, mas chega um momento que essa dor vira mágoa, raiva, ódio, que tomam a consciência e revelam sua  incapacidade de esquecer aqueles que o ofenderam. Então, mantém a raiva dissimulada daqueles que o superaram e isso só faz crescer a sede de vingança. Uma sede que não consegue saciar e que o afunda cada vez mais no mar da ignorância e do desamor, o impedindo de viver uma vida plena.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Mais um dia para amar


O Natal não é apenas motivo para o consumo, embora isso seja importante numa sociedade pós-moderna. O Natal é uma boa época para celebrarmos a compreensão, o perdão e o amor. Jesus Cristo,  o HOMEM mais bondoso e sábio que pisou na terra, muito ensinou sobre o amor. Sinto que pouco aprendemos, todavia, as chances sejam dadas em todos os Natais, assim como em todos os dias de nossas vidas. (Na foto, com meu sobrinho Thomas Luiz)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Armas e senso comum

Nestas horas sempre surge um para dizer que a arma branca também mata e que ninguém tem registro ou porte. Desculpem-me, mas isso é senso comum. O homem mata com qualquer coisa, mas a arma de fogo facilita mais. Também é a única feita exclusivamente para matar. A faca, o carro e até o remédio são para outros fins.

Você acredita mais em milagres do que em você?

(J.Lemes) Mesmo que sejamos os seres mais completos deste planeta, somos eternos insatisfeitos, sem confiança em nós mesmos, sempre procurando a metafísica, as coisas além do plano terreno. 
Com perdão às crenças, lembro de Nietzsche quando dizia que isso tudo ocorre pelo medo de encararmos nosso destino. Tudo certo até aqui. O problema é que a toda hora nulidades como joões de Deus, dos santos e outros tantos pobres mortais iguaizinhos a nós vociferam a explorar nossas fraquezas, nos arrancando até mesmo a nossa própria identidade.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Sorte tem quem acredita nela

(J.Lemes) A virtù é a capacidade do príncipe em controlar os acontecimentos. Para Maquiavel, o líder com grande virtù observa na fortuna a edificação da estratégia. A virtú seria uma forma de manter a estabilidade. A fortuna são as circunstâncias, o tempo e as necessidades. Ela é a sorte individual. É a ordem que influencia a liderança. A fortuna não é um obstáculo, é um desafio a ser conquistado. Por isso, se diz: quem tem virtù (coragem), tem a fortuna (sorte) ou: “Sorte, tem quem acredita nela”.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Gentileza

ARTIGO DO DIA
(J.Lemes) Hoje é o dia da gentileza. No latim, “gentilis” era quem pertencia à mesma família ou clã. Num momento da evolução decidimos pressionar mãos, corpos ou lábios e um ato de gentileza, carinho, respeito ou amor. Como seres sociais, esse desejo de se conectar está dentro de nós.

Como não vivemos sem o outro (basta ver quantas vezes o outro ocupa nosso pensamento durante um dia), vamos lá! Vamos cumprimentar, praticar a gentileza e, quem sabe, dar e ganhar um abraço. E lembre-se: se a pessoa for fingida, é ela, não o abraço.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Inveja pelos de longe não existe

Já notaram que uma pessoa daqui dificilmente vai invejar outra dos EUA, Inglaterra, Itália ou um rico xeique da Arábia? A resposta é simples: o mais vergonhoso sentimento humano precisa da comparação. Explico: é mais fácil a gente invejar (e por isso até odiar) alguém de perto que um de longe... (J.Lemes)

terça-feira, 6 de novembro de 2018

GRANDEZA

Em tempos de mídia fácil, quando todos têm liberdade (fato maravilhoso), deixo aqui uma reflexão: alguém já viu uma publicação na rede dizendo assim?
Amigos; "Eu estava enganado sobre tal fato";
"Amigos, errei em tal questão. O correto é isso e isso..."
"Amigo, errei com você, portanto, peço que me perdoe".
Isso é o que eu entendo por GRANDEZA

(palavras novas, palavras feias e vícios)

(JL) - A língua é versátil, heterogênea e a cada dia um falante surge com algo novo ou que estava guardado no passado. Aí todo mundo o imita. 

Palavras do momento: expertise, pontuais, entorno, espaço, revitalização, formatação...

Palavras feias - Estas já são pronunciadas há muito tempo. Eu as ignoro por terem sons esdrúxulos: catapultado, multifacetado, culminância... 

Vícios -  Aqui no sul poucos conseguem se livrar do "né". Nem a recente peste do "é que na verdade é assim, óh" supera.

Curiosidade -  Para finalizar, lembro da troca do “por causa” pelo incorreto “por conta”. Embora já esteja dicionarizada (aceita), “por conta” significa “a cargo dê”.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Conhecem o Bibo Nunes?

O comunicador cruz-altense Bibo Nunes (PSL) é um apresentador de televisão radicado em Porto Alegre. Ele tentou dezenas de vezes uma cadeira de deputado. Enfim, chegou sua vez para federal.
Eu, como morei tempos em Cruz Alta, minha primeira matéria para jornal foi com ele, quando concorreu a deputado estadual nos anos 80. Fiquei nervoso porque iria entrevistar um comunicador muito bom. Aí lembro que disse: "Vocês votariam num cara que diz ‘menas’"?, se referindo a Lula. Hoje poderia dizer: "Votariam num cara preso?”.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ame, ame, ame... antes que seja tarde

(J.Lemes) Hoje falam tanto em Deus e Cristo que até fico assustado por não ser religioso catedrático, embora saiba da importância que isso tem. Dificilmente eu falo em Deus, ou quase nunca. Que lê meus textos sabe disso.

Entretanto, no "frigir dos ovos", sei que terei que enfrentar um Deus que vive em mim: a minha própria consciência (com ciência). Portanto, terei que prestar contas a ela quando me cobrar pelas pessoas que magoei, pela estupidez que cometi e pelas chances que tive de me desculpar e não o fiz. Mais ainda pelas pessoas que eu deveria ter amado mais e não amei. Por isso, vou tentando mudar a cada dia, antes que seja tarde. Demasiado tarde.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Manoel Viana dos livros



Manoel Viana promoveu sua feira do livro e reuniu escritores de Santiago, Porto Alegre e Alegrete. A Casa do Poeta (Santiago) marcou presença: Ronaldo Gomes, Lígia Rosso, Fábio Monteiro e João Lemes. Momentos de muita literatura e amizades. Todos agradecem à secretária de Educação, Ana Mingotto. (Detalhes, no Expresso de sexta)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Você sabe o que é fascismo?

Muitos falam do termo fascismo sem saber direito o que significa. O fascismo vem de “fascio”, que remete à "aliança" ou "federação", fundado na Itália de Mussolini em 1919. A palavra "fascista" menciona uma doutrina política com tendências autoritárias, anticomunistas e antiparlamentares, que defende a autossuficiência do Estado e atua contra as liberdades individuais.

O fascismo é diferenciado das ditaduras militares porque o seu poder está fundamentado em organizações de massas e tem uma autoridade única. Quando se estabelece no poder, aceita a presença do grande capital e se impõe de forma disciplinadora contra as organizações operárias que defendem a luta de classes.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O Brasil é a nossa casa. Que tal arrumá-la?

O Brasil é o país das desigualdades. É um país entregue à violência - é o que mais mata, mais prende e onde mais policiais morrem -. É um país onde a pobreza e a corrupção se alastram. Sem novidade até aqui (ponto).

O que chama a atenção é o rumo de certas áreas, pois é um dos que mais fatura no ramo de cosméticos, cirurgia plástica e pet shops. Também é um dos que mais joga comida no lixo, entre outros tantos disparates.

Agora pergunto: já viram quantos candidatos querem diminuir essa desigualdade? Quantos falam em revolucionar os presídios para não servirem mais às facções? Quantos falam em educação e quantos aparecem com cãezinhos no colo ou prometendo o impossível?

Brasil não é uma arena onde se aposta neste ou naquele e, se perdermos, partimos pra outra e tudo bem. Não! O Brasil é nossa casa e, como tal, queremos que fique melhor para todos, sem riscos.
Nesse lar, se troca ideias num clima respeitoso enquanto estudamos as propostas dos futuros líderes, mas sem paixões doentias, as quais nos tiram a razão até perante os amigos. O caso é sério, como séria deve ser nossa postura e nosso voto. Portanto, cuidemos dessa casa com muita consciência, calma e tolerância.

sábado, 29 de setembro de 2018

Os ventos da ignorância

(J.Lemes) Numa rede social não há embates de ideias. O que existe é um atentado contra a ideia do outro, num explícito anseio de vencê-lo nem que seja preciso apelar para palavras tortas ou rudes, sempre justificando-as na ação do outro (Ah, mas se fulano disse isso e aquilo eu também tenho que "me defender").
Muitos dizem que foi a própria rede que "emburreceu" as pessoas. Nada disso! O homem adepto a esse comportamento sempre foi assim. A diferença é que hoje ele tem um lugar para gritar sua ignorância.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Dualidades

Amo a noite porque me traz o dia. Não reclamo da fome porque me renova o paladar. Gosto da canseira, assim, meu sono será melhor. Não choro no adeus por pensar no reencontro. Adoro a distância, sem ela não haveria saudade. Respeito as lágrimas porque depois vem o sorriso. Amo o inverno só pela expectativa de uma primavera ainda mais bela. (J.Lemes)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Brasil, a nossa casa; que tal arrumá-la?

(J.Lemes) O Brasil não é uma arena onde se aposta neste ou naquele e, se perdermos, partimos pra outra e deu. O Brasil é nossa casa e, como tal, queremos que fique melhor para todos, sem riscos. Nesse lar, se troca ideias num clima respeitoso enquanto estudamos as propostas dos futuros líderes, mas sem paixões doentias, as quais nos tiram a razão até perante os amigos. O caso é sério, como séria deve ser nossa postura e nosso voto. Portanto, cuidemos dessa casa com muita consciência, calma e tolerância. Forte abraço a todos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

O que seria da vida sem a sensibilidade?

Hoje é um dia especial para mim. Todos são especiais, mas esse é um pouco mais porque recebi essas palavras de um sábio; o professor Jomar João Donadel, de  São Vicente.

Nessa pós-modernidade, raras são as pessoas que param para ler um livro e muito mais raras são as dedicam algumas linhas aos amigos. É por isso que esse amigo é especial para mim e para muitos outros.

“Me dirijo a Ti, com muita satisfação e honra, para parabenizá-lo pela espetacular obra literária “Ensaios da vida”. Minhas felicitações pelas importantes, belas e profundas reflexões. Tem muita sabedoria de vida nos teus contos e crônicas. É impossível ler somente uma vez. Agradeço pela gentileza com que fui recebido  nas dependências do Expresso.  Desejo muita luz, saúde e sucesso, extensivo à família e equipe do jornal.”  (Abraço fraterno, Jomar)

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Humildade, sim; subserviência, não!

Há uma diferença entre servir e bajular; ser humilde ou subserviente, ser desinformado ou ignorante. Por isso, lembrei de Diógenes (o Cínico), um filósofo que viveu na Grécia Antiga. Ele saía em plena luz do dia com uma lamparina acesa. Dizia que procurava homens verdadeiros, autossuficientes e virtuosos.

Certa vez o rei Alexandre (O Grande) perguntou a Diógenes o que poderia fazer por ele, já que vivia na miséria, só comendo lentilhas.
 - Não me tire o que não me podes dar! - disse Diógenes, se referindo à luz do sol que Alexandre tapava com sua sombra.

Certa vez Diógenes foi visto pedindo esmola a uma estátua. Quando lhe perguntaram o motivo de tal conduta, respondeu:
 - Por dois motivos: ela é cega e não me vê; assim, me acostumo a não receber algo de alguém e nem depender de alguém.

Outra passagem lembra que um amigo disse a Diógenes:
 - Se você aprendesse a bajular os ricos, não precisaria comer lentilhas.
Diógenes respondeu:
 - E se você aprendesse comer lentilhas, não precisaria bajular os ricos.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Vícios e fanatismos

(J.Lemes) O vício é algo realmente difícil de largar. O homem pode se viciar em drogas, jogos, sexo, comida, bebidas... Há também os fanatismos religiosos, políticos e até fanatismo pelo trabalho. É que o ser humano sempre teve tendência a desviar-se para alguma coisa desmedida. Nem parece esse ser tão inteligente e absoluto no universo. Eis um enigma que acompanhará toda a humanidade, por toda a vida.

Clichês, vícios e comodismos na linguagem

Assim ó - De tempos em tempos a linguagem muda. Algumas expressões ficam esquecidas, outras mais batidas... Só que, às vezes, usamos as mesmas expressões por vício, comodismo e falta de criatividade. Nota-se isso em algumas propagandas de rádio e TV. Façam o teste e vejam quantas vezes essas frases se repetem:

“Orçamento que cabe no seu bolso.” “Isso mesmo!” “Atendimento diferenciado.” “Está em novo endereço para melhor atender.” “Tudo isso e muito mais!” e há o pior clichê dito por quase a totalidade: “nossa loja é um novo conceito em...”

Ééééé - No dia a dia, difícil ouvir uma pessoa que não repita em demasia o “assim ó”. Quem não diz “assim ó”, diz outra pior: “é que, na verdade, é assim ó”, fora os “ééééés...” no meio de cada frase.

Dica: a propaganda precisa ser pensada e não copiada umas das outras. Cada produto ou loja precisa ter “vida” própria, ter a sua imagem, seu estilo e a propaganda é uma das maneiras de mostrar isso.
A menos que sua empresa seja apenas mais uma...

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A arte de cortar palavras

Considero-me um "cortador" porque acredito nisso: devemos respeitar o tempo alheio. Então, digo tudo de forma econômica. Minha maior intolerância é com os pleonasmos. Cortando-os, já se encurta muito.
Exemplo: pra que dizer "baseado em fatos reais", se todo fato é real? E que dizer de "logo em seguida"? Já viu algo ser logo, mas não a seguir?
Ontem ouvi alguém da Globo dizer: "Ele deu cinco versões diferentes para o crime" - como seriam cinco versões iguais?
Somos o terceiro país do mundo a usar a internet para arrumar emprego". - e se o país não fosse do mundo?

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O que vem pela rede

De um observador da cena política, sobre a escolha do General Mourão para ser vice de Jair Bolsonaro: “Sem outra opção, Bolsonaro tinha o príncipe ou o sapo. Escolheu o sapo.”
(O Antagonista)

“Criativo! Ontem no Fantástico um burro foi condecorado como um dos 100 melhores prefeitos pelo instituto Tiradentes!”. De um leitor sobre o fato da URI homenagear um cachorro.

DEBATE

A palavra "debate" diz tudo. É um querendo vencer o outro. Ninguém admite ideia melhor que a sua. Na rede também é assim. Ninguém abre mão de sua convicção, talvez por narcisismo e orgulho. O que falta é "conversação" , na qual se refina as ideias sem ninguém tentar provar que é melhor. É disso que o Brasil precisa. (J. Lemes)

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sobre o uso da crase

(J.Lemes) Todos os dias recebo muitos currículos de pessoas pedindo emprego. Na semana passada uma carta mostrava que a candidata tinha se formado em Letras – Português e Espanhol. Ao examinar seu currículo, notei dois acentos indicativos de crase. Todos os dois bem grandões e errados.

“...contas à receber e à pagar de empresas”...

Por isso, repito:
CRASE - se você não sabe, deixe sem nada (sem o acento). Apesar de ainda ser um erro, o leitor poderá pensar que você "se passou". Caso contrário, ele terá certeza que você não sabe nada de crase.

"crase" acertou essa.

terça-feira, 24 de julho de 2018

A doença da razão

(J.Lemes) É certo que todos devemos nos envolver com a política, afinal, todo ato do homem é um ato político. O que me impressiona é a paixonite de alguns que só surgem na rede para postar coisas do seu candidato ou falar mal dos contrários. São seguidores, são discípulos, portanto, doentes, doentes da razão, eis que toda paixão (amor ou ódio) é uma doença. A política não se faz assim. Ela se faz de sã consciência.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Novidade: presos trabalhando...

(J.Lemes) Tramita no Senado um projeto que pretende fazer os presos trabalhar para custear as despesas. Antes que batam palmas, aviso: os presídios não têm estrutura nem para abrigá-los, imagina se vai dispor de área de trabalho. Primeiro o Estado tem que retomar o poder nas cadeias para evitar que os presos sigam comandando o crime lá de dentro.
É lógico que os presos devem trabalhar, mas assim como está isso jamais será possível.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Grande Paulo Roberto Padilha

Agradeço a todos os professores e autoridades que prestigiaram o 1º Seminário Internacional de Educação de Santiago. Aproveitei para comprar o novo livro a ser lançado pelo Instituto Paulo Freire. Comigo na foto, o cara que conviveu com Freire e que preside o instituto. Grande Paulo Roberto Padilha, o qual abriu os trabalhos no evento.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Lenitivo

Hoje meu caçula faz 19 anos. Nem vou citar todos os seus valores, apenas quero citar o valor que ele tem para mim; ele me vale um universo. Com esse menino aprendi muito, mais ainda a amar. João, cada minuto de tua vida, cada respirar teu é lenitivo para minha vida e minhas dores. Tudo por uma razão óbvia: sou muito mais você do que eu. Te amo, filho! Parabéns!

Cachorro é cachorro, gente é gente

(J.Lemes) Daqui a uns tempos será crime chamar um cão de cusco, jaguara, guaipeca ou até mesmo de cachorro. O nome bonito é PET. Não é de duvidar! Tem gente que já os chamam de filhos e os levam às sorveterias, coloca-os sentadinhos e dá delícias nas boquinhas.

É muito bom adorar e proteger os animais, mas para mim, cachorro será sempre cachorro e gente será sempre gente. Mas se depender da mídia, será ao contrário.

Depois da experiência boa no shopping Iguatemi em Porto Alegre, o “supermercado para pets” (Cobasi) abrirá mais duas unidades em outros shoppings. São mais de 20 mil itens para animais de estimação, casa, piscina e jardinagem. Tem desde rações secas e úmidas a acessórios  importados, alguns com venda exclusiva na Cobasi, mais serviços de banho e tosa.

Como se vê, para o mundo dos cuscos, digo, dos pets, não há crise. Quem bom! Desde que não saiam por aí sujando calçadas e praias, eu também amo esses animaizinhos. Mas sigo dizendo, cachorro é cachorro e gente é gente.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Onde está a humildade?

Seguidamente vejo políticos posando de bons moços. Ou andando em carro velho, ou comendo em restaurantes modestos ou cortando cabelo em barbearias simples. Também posam usando roupas surradas, sapatos velhos... Gostaria de lembrar que a humildade explícita demais vira demagogia. A humildade também não está só na roupa, no cabelo ou na comida. Ela está no caráter e na forma de agir e, principalmente, no respeito às pessoas e às suas diferenças.

Fé, milagre e abuso

(J.Lemes) A fé é algo muito pessoal, todos sabem. Todos sabem também que alguns líderes abusam dessa fé e a toda hora saem com a frase “Deus no comando” até para amenizar uma dor da unha encravada. Tais afirmações, muitas vezes, servem apenas para comover os que têm fé. Ou seja, para ficarem de bem com essas pessoas. 

Outro dia vi o tal Valdemiro Santiago, “curando” um aleijado em pleno horário nobre da TV. Acreditem, o ex-paraplégico saiu andando com a cadeira nas costas. Ontem, por acaso, passei no seu Canal e vi outra aberração: o tal pastor “curou” uma criança cega de nascença. Um homem desses deveria ser preso em flagrante delito por abusar da inocência e da fé das pessoas.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Dicas de Português

(João Lemes) Hoje vou falar das expressões que já se incorporaram aos discursos, mas que a língua culta não aceita.

- O professor ficou “pasmo” com a nota dos alunos. (pasmado)

- Eu vou fazer campanha para ele, “independente” de ser ou não do meu partido. (independentemente)

- Ele ficou “quites” com a tesouraria (quite)

- Isso “vem de encontro” ao que a comunidade deseja (ao encontro)

- Eu vivo "às custas" de meu pai. (à custa - "custas" são taxas judiciais) 

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Dicas de português

Você também 
troca o “U” pelo “L”?

É comum a troca do U pelo L. Todos os dias ouvimos “mal atendimento” em vez de “mau atendimento”; ouvimos “mau-estar” em vez de “mal-estar”; ouvimos “mal humor” em vez de “mau humor” e “mau-humorado” em vez de “mal-humorado”...

Agora surgem umas que não dá para querer:
“frauda” em vez de “fralda”; “fralde” em vez de “fraude”, “saudar dívidas” em vez de “saldar” (de saldo)...

Lembrete - “Mal” é o contrário de "bem" e "mau" é o contrário de "bom". Portanto, devemos escrever “mau humor” (contrário de bom humor) e “mal-estar” - contrário de “bem-estar”.
Por fim, frisamos: quem tem “mau humor” é mal-humorado.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

CAOS

(por João Lemes) - A população vive reclamando e falando em caos. Mas essa palavra significa bem mais que uma greve qualquer e bem mais que a falta de algum produto. O caos é quase o fim. Agora, com essa greve da única classe capaz de parar um país, os caminhoneiros, o governo e todos nós vimos que o caos estava ali, ali…

O caos também (quase) se viu no desespero das pessoas atrás de produtos, outras apelando para a violência, extrapolando leis e algumas agindo como age o ser humano: com hipocrisia. De noite falavam em apoio à greve e de dia corriam aos supermercados e postos. Não acho errado. Cada qual sabe de suas necessidades e desejos. São livres.

Já outros, derrotados politicamente ou desprovidos de uma leitura mais profunda, clamavam pelos militares. Também têm esse direito. Por incrível que possa parecer, isso também é democracia. Porém, basta sair na rua para ver as caras de anjos dos meninos do Exército segurando um fuzil. Pensam que eles teriam capacidade de governar uma nação com tanta complexidade?

O Exército está preparado, mas não para sair fazendo o que alguns queriam a torto e a direito. Os militares são treinados para respeitar a constituição, a paz e a ordem, o Brasil e seu povo. A democracia, por ruim que seja, ainda é o melhor sistema.

Ou pensam que alguém poderia reclamar de algo, caso os militares estivessem no comando? Ninguém queimaria sequer um palito na esquina. Entendam: esse é o lado bom da democracia, podemos colocar e tirar de lá quem a gente quiser, fazer greve…

Entre tantas coisas que li e ouvi, separei essas palavras da professora Virgínia Dal Carobo: “O caos atinge a todos numa progressão assustadora e nada justifica a negação da liberdade de ir e vir, da capacidade de pensar, do diálogo na resolução de problemas. Os problemas de hoje são resultados de contextos diversos, com esteio na corrupção que a democracia escancara pouco a pouco em processos legais. A liberdade se consubstancia num valor inestimável, já o caos, tem um preço altíssimo a ser pago por todos”, escreveu a professora.

Pois é. A greve foi necessária para aliviar uma classe sofrida e para ajudar a todos nós, mas como tudo tem um preço, iremos longe pagando. E acreditem, isso também faz parte da vida e é bem melhor que o CAOS.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O outro

O problema é que o ser humano está sempre querendo afrontar o outro, vencer o outro, ser melhor que o outro. Quando não tem habilidades, um time de jogadores pagos a peso de ouro serve. Um brigador profissional serve. Um lacaio politiqueiro e populista serve. Até uma lista de mortos durante a ditadura serve. Pergunto: Para que aniquilar o outro, se no fundo ele não vive sem o outro? Vive? Eu não vivo, e você?

segunda-feira, 14 de maio de 2018

O beijo

(J.Lemes) Era 1896, quando os atores John C. Rice e May Irwin trocaram o primeiro beijo na tela do cinema, conforme o livro The Story of Film, de Mark Cousin. Tudo foi filmado por Thomas Edison (o inventor da lâmpada). A notícia correu o mundo. Surpreendeu, como tudo o que é novo. Estava estabelecida a mudança de cultura, a de que é permitido se beijar em público. Afinal, o beijo é amor, é afeto. É melhor beijar do que bater, surrar, assaltar. Faça amor, não faça guerra, diz o adágio.

Depois, vieram outras cenas mais fortes até as telas se taparem de pornografia. Hoje tudo está liberado em canais do governo, canais fechados ou pela internet. Todos, até crianças, têm acesso ao pornográfico, ao escandalizador, enquanto os pais dizem: “Não sei mais o que fazer para evitar que eles vejam”. Falam isso sentadões no sofá vendo os puxa e afrouxa da Globo em horário nobre com as crianças do lado.

Nem de longe direi o que é certo ou errado. Não tenho essa competência. Só quero lembrar que as pessoas são livres para manifestarem seus desejos, assim como são livres para desligarem a TV, trocar o canal, colocar senha no computador para o filho não acessar a “sujeira”... É bem verdade que sigo pensando que certas coisas, como o beijo demorado (entre gays ou casais héteros) dado na rua, nas praças, teriam melhor lugar em boates, nas suas casas e, bem melhor, na privação do quarto.

O que não se pode admitir é a hipocrisia de alguns que criticam o beijo gay na TV (também achei exagero) e saem republicando pela rede social a cena da qual não gostaram. Diante de todo esse puritanismo e mimimi, repito o que já escrevi: imaginem se tivessem gostado. 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Modernidade Líquida para a política e religião

(J.Lemes) Quase tudo, desde a política às religiões, está destoado. Isso se embasa nas narrativas de Zygmunt Bauman e sua Modernidade Líquida. É a era do ter, parecer e não do ser. Cada dia temos que mostrar mais competência, força e poder ou alguém cruza na nossa frente e nos esmaga.

Hoje se vê a customização da política. Basta o candidato ter algo com o qual me identifique e está valendo. Já passo a amá-lo, mesmo sem saber de suas outras capacidades ou incapacidades. Também passamos a amar o candidato B só porque odiamos o candidato A. Nessa roldana, misturamos todos os que pensam diferente.

A religião também é adaptada conforme nosso EU. O que nos serve, a gente destaca. A fé é ostentada como um troféu em faixas, adesivos, em tatuagens. Há uma necessidade de dizermos que temos fé. Assim, ela vai ocupando todos os lugares, menos o coração de alguns.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Neste eu não voto, e vocês?

Amigos, leitores. Eu não tenho partido, mas sei que teremos que escolher alguém para governar este país que não anda lá muito bem das pernas. Portanto, quero escolher com vocês alguém que tenha integridade, capacidade e liderança. Que saiba somar e unir, ou nada vai mudar. Façam suas escolhas. Farei as minhas.
Não sei ainda em quem votar, mas neste eu sei que não voto. O camarada não sabe nem responder a uma pergunta simples sobre economia. Não tem preparo nem para usar a boa linguagem. É só no Brasil que os líderes têm orgulho em não saber ler, de não saber falar, de não entender de economia? Será esse o nosso presidente?

(Obs. Esta matéria eu li na revista Época desta semana. Está lá nas bancas. Vejam vocês mesmos)

domingo, 6 de maio de 2018

Já ouviu falar na Síndrome do Imperador?

(por João Lemes) O psicoterapeuta Leo Fraiman diz que a "Síndrome do Imperador" se vê na falta de limites dos pais, o que pode se tornar um grave problema na formação dos filhos.
Hoje os pais querem evitar as frustrações deles, as suas angústias, a qualquer custo. Esquecem que, na vida adulta, a felicidade dos filhos dependerá de erros e acertos, dependerá de horas angustiantes, assim como o preto depende do branco, o frio do calor, o seco do molhado...

Leo Fraiman explica que certos pais permitem que crianças de 12, 14 anos durmam com eles para não deixá-los tristes. Foi mal na prova? vamos já para a aula particular. Há muita gente na fila da merenda da escola e o filho ficou sem? Corre lá e reclama para a direção. Brigou com o colega? Nem procure saber quem está errado e já dê uma bronca no pai da outra criança...
Será que não está na hora dos filhos sentirem que a vida não é um mar de rosas? Que é cheia de altos e baixos, assim como na infância?

Melhore sua linguagem: dicas sobre o verbo ter

(J.Lemes) Há horas observo o mau uso do verbo TER. Ele substituiu erroneamente o verbo existir. "Tem gente que não gosta" em vez de "existe gente, há gente, que não gosta".

Tenho notado que a imprensa diz que a pessoa "teve", não um objeto, mas uma ação. Veja: "O motorista TEVE o carro apreendido". Esse verbo só estaria correto desta maneira: "Ele teve um carro (certa vez). Não tem mais" e/ou "Seu carro foi apreendido".

Outra expressão esdrúxula é: "Quem não for trabalhar TERÁ o salário do dia descontado". Observe que até a metade da frase o  sujeito vai ganhar alguma coisa; depois, perde.

Para encerrar, eis o exemplo de hoje da Zero Hora: "Hospital Beneficência Portuguesa é invadido e TEM condicionadores de ar, motores e até torneiras levados". Melhor seria: "Hospital Beneficência Portuguesa foi invadido e os condicionadores de ar, motores e até torneiras foram levados".

terça-feira, 1 de maio de 2018

Linguagem do "assim, ó"

Todos os dias noto fenômenos na linguagem. Noto o quanto as pessoas imitam. Alguém lança uma expressão e dali a pouco há milhares reproduzindo isso. Copiam ditados, clichês, manias, sotaques... Não acho errado, só penso que, ao imitarmos, deixamos de ser nós, não criamos e tudo vira mesmice nos discursos. Entre as manias, cito o "ééééé" ... (entre as frases). Também ouço o "então assim, assim" ... "na verdade", "muito bem" (esse é dos radialistas), "assim ó", "tá, né" e o "é que é assim ó".
E aí, qual mania você pegou?

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Cadeia foi feita para homem ou para ladrão?

(J.Lemes) No país da piada pronta, ninguém fica surpreso. Temos até ex-presidente encarcerado e outros tantos grandões na mira. Em outros tempos, tais fatos seriam, de estremecer qualquer nação. Prova de que nos acostumamos com a corrupção e até com as prisões.
Quando iríamos imaginar que o Brasil teria um candidato a presidente dentro de uma cela? Pior: quando imaginaríamos que ele estivesse liderando as pesquisas? Parece até que muitos recorrem a uma frase ridícula: “cadeia foi feita para homem”. Eu duvido disso. Para mim, cadeia foi feita para os fora-da-lei.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Política corrompida, eleitorado corrompido

(J.Lemes) Michel Temer é o sétimo presidente desde o fim da Ditadura. Fora Temer (...), tivemos: Sarney, Collor, Itamar Franco, FHC, Lula e Dilma.  Desta lista, dois foram afastados por impeachment, um morreu, outro foi preso (e comemorar isso é como dar um tiro no pé e sorrir), outro é alvo de investigações (Sarney).

Por sua vez, FHC leva umas tijoladas por fora, mas fica na dele.
Nenhum chegou lá por um golpe (...) de mágica. Foram votados, direta ou indiretamente. Então, a culpa não é só de quem vota no que ganha a corrida ou de que aposta no que acaba engolindo pó (como o Aécio). Todos votam, todos arriscam, todos acreditam...  Uma política corrompida é reflexo do eleitorado corrompido.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Um sonho de liberdade

(J.Lemes) - Raros são os petistas que admitem alguma coisa que alguém tenha feito de errado. Aliás, nem Aécio, nem ninguém admite. Todos são inocentes. A própria presidente petista Gleisi Hoffmann disse que o PT não iria admitir nada. Agora, o ex-poderoso Zé Dirceu admite algum erro, assim como o ex-operador do Mensalão, o carequinha Marcos Valério e o guasca Olívio Dutra.

Tais afirmativas me lembram de um livro e um filme. Em “Sonho de Liberdade”, quando o personagem de Tim Robbins chega na cadeia, acusado de ter matado a esposa, ele diz ao personagem de Morgan Freeman:
 - Fui acusado de matar a esposa, mas sou inocente.
Freeman responde:
 - Não se preocupe. Aqui todos são inocentes.

Já no livro Estação Carandiru, de Dráuzio Varella, há uma passagem dizendo que ninguém mais perguntava a um novo preso “por que ele havia sido condenado”, pois ele sempre alegava inocência. Então, os agentes mudaram a frase para:
 - O que “dizem” que você fez?
Como vimos, o “sonho de liberdade” faz todos mentirem e alegar falta de provas.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Dicas de português (pleonasmos e outros bichos)

(J.Lemes) Hoje ouvi um repórter da Globo dizendo: “O dia amanheceu, mas não clareou”. Depois um médico explicou que a lesão foi “a nível de joelho”. Na primeira frase houve um pleonasmo (redundância). Só o que amanhece é o dia. Já no segundo caso, confesso que ficarei devendo.

Também andei vendo outros pleonasmos comuns no dia a  dia, tais como:
“Logo em seguida”, “outra alternativa”, “gira em torno”, “eis aqui”, “voltamos após o intervalo”...
Logo só pode ser em seguida. Alternativa já é outra. Girar ao quadrado não dá. Eis significa aqui. Intervalo sem a sequência não é intervalo. Seria o fim.

Para encerrar, me reporto a algo muito repetido; o verbo haver no sentido de existir não aceita plural.
Vejam: “Fazem 10 anos que moro aqui”. “Houveram situações em que ele se deu mal”.
Também não há plural em fatores climáticos: “Choveram dois dias sem parar”.
Correto: faz, houve e choveu.

sábado, 14 de abril de 2018

Amor e compaixão: sentimentos esquecidos pelo humano

(J.Lemes) Não iria mais falar em Marielle, porém, hoje vi na revista Época o batalhão denunciado por ela, cujos PMs mataram vários inocentes, a começar por dois  rapazes em uma moto; depois, mataram uma criança e, por último, os PMs haviam disparado 100 tiros contra um carro cheio de jovens que voltavam de uma festa.

Pois bem. É incrível que depois disso ela tenha sido morta. Mais incrível foi a vontade de muitos de que esse crime não tivesse importância porque Marielle era de um partido "ordinário", que defende bandidos etc. Sei que essas pessoas agiram assim não pela razão, mas pela emoção, elemento biológico que nos rege na maior parte do tempo.

Quando digo emoção, falo em ódio, rancor, ressentimento, vingança... Mas não teríamos outra emoção para "julgar" Marielle? Sim, poderíamos nos valer da sede de justiça, da compaixão e do amor, sentimentos estes esquecidos pelo humano.