sexta-feira, 29 de abril de 2016

De trabalho e de ganância

(João Lemes)
O trabalho sempre dignificou o homem, desde que a ganância não se sobreponha. O problema é falar de trabalho e da riqueza que vem dele num mundo capitalista ao extremo. E nossa história é toda ela traçada pela ganância e pelo poder em excesso de uns sobre os outros. Essa corrida para acumular bens vem desde o descobrimento e segue atropelando o tempo e aniquilando muita gente em benefício de uma minoria.

O escritor Darcy Ribeiro publicou um diálogo entre um célebre francês e um velho índio tupinambá. O nativo perguntava por que os europeus vinham de tão longe buscar o nosso famoso pau-brasil.
-Eles não têm lenha? -, perguntou o índio.
-Sim, mas não é para queimar. É para fazer tinta e pintar as coisas.
-E por que precisam de tanta tinta?
-Para servir aos industriais de todo o mundo. Um só comprador rico leva um navio inteiro dessa madeira.
-Mas este homem tão rico não morre?
-Morre como todos nós.
-E o que acontece com sua riqueza?
-Fica pros filhos, irmãos ou parentes próximos.
-Vocês são mesmo loucos! - prosseguiu o índio - Viajam tanto, enfrentam o perigo para acumular fortuna e a deixam aos filhos! Esta terra que nos alimenta não basta para servir a esses herdeiros também?


terça-feira, 26 de abril de 2016


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vida

Passou feito um bandido pela vida; vida malvivida, desvivida, invivida e sem vida, vida bandida. Antivida. (João Lemes)

domingo, 24 de abril de 2016

O coronel Ustra, os nazistas e Bolsonaro

(por João Lemes - jornalista)
O país assiste à outra aberração praticada pelo deputado Jair Bolsonaro (PP do Rio), que agora pode, enfim, ser cassado. Tudo porque ele elogiou o coronel Carlos Alberto Ustra, ex-comandante militar torturador da ditadura. Foi na sessão do impeachment que Bolsonaro ofereceu seu voto ao coronel Ustra, causando muita revolta.

O coronel Ustra nasceu em Santa Maria e faleceu em 2015. Para muitos, esse senhor foi um monstro assim como os nazistas alemães que torturaram e mataram milhões de judeus na 2ª guerra. Ainda hoje, vários homens e mulheres relatam o inferno que passaram nas mãos de Ustra, que mandava dar choque nos ouvidos e nos mamilos delas, colocar até correntes no pescoço dos homens como se fossem cães. Evidente que Ustra nunca admitiu a monstruosidade. Dizia apenas que acatava a "missão" do Exército.

Para ilustrar o tema é bom relembrar a filósofa Hannah Arendt, a qual assistiu ao julgamento do nazista Adolf Eichmann, acusado de transportar milhões de judeus para o extermínio. Imagine que Eichmann também disse que cumpria ordens, não se considerando um monstro. Hannah então concluiu que ele dizia a verdade. De fato ele não era um monstro. "Era só um homem comum, terrivelmente comum, incapaz de pensar por si, como a maior parte das pessoas", defendeu a filósofa. 

Para Hannah, quem pensa se dá conta do mal, pois a maldade não pode ser coisa dos inteligentes. Assim concluímos que o holocausto aconteceu devido à obediência de milhares de servidores públicos nazistas que só sabiam obedecer a ordens. Seria o coronel Ustra um ser assim, incapaz de pensar por si? E o que dizer de Bolsonaro?          

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Educação

O termo educação é latino. Vem de “educo”, que significa fazer crescer, revelar, desenvolver de dentro pra fora. Educação não se aprende só na escola. É função da família.

Não é preciso muito conhecimento para ser educado, para respeitar o direito alheio. O demonstrativo de educação não está no rebusque das palavras. Está nos gestos, na simplicidade dos dizeres e nas ações cotidianas.

Dizem até que o mal-educado não tem cultura, mas ele tem. É a “cultura” da grosseria, da falta de tato com o semelhante.

É pelo comportamento público que se enxerga o futuro bom funcionário, patrão, político, professor, esposo, esposa, pai...

Quando uma pessoa usa ambiente público para xingamentos ou conclusões sobre alguém, ofendendo até mesmo amigos e colegas, se vê que ela desmerece a tradição passada de pai para filho.

Que dizer ainda quando vimos os famosos como a cantora Paula Fernandes, o ex-presidente Lula e tantos outros distribuindo xingamentos e palavras chulas em rede nacional?

São exemplos ao contrário, desserviços à nação, baldes de água fria nos pais e professores que ensinam nossos jovens à espera de que um dia possamos nos orgulhar desta pátria, onde a base deveria ser a educação.

Senhor lojista; que tal tomar uma atitude?

(J.Lemes)
Em tempos em que o dinheiro circula menos, todos ficam mais criteriosos ao gastar. Isso é mudança de atitude. Mas e o nosso comércio se adequou à nova postura? Não está parecendo. Quando o sino da Matriz badala às 18h, muitos lojistas já estão com a chave na porta. E é nessa hora que vários de seus clientes saem do trabalho. Pena que só conseguem apreciar as promoções nas vitrines.

Horário estendido 
Mas tem gente que entendeu o recado e fica, no mínimo, meia hora a mais esperando.  Melhor do que se manter “cravado” das 8h às 13h30. O cliente é brasileiro. Ele deixa as coisas pra última hora. Se chegar lá e der com o nariz na porta, irá noutro lugar. Exemplo: em qual hora os mercados mais têm movimento? Depois das 18h, ora! Só não vê quem não quer vender!

E no shopping? 
Em qualquer cidade, os shoppings são a salvação foras de hora. E no Ilha Bella de Santiago? É shoppings ou uma ilha, já que a prática do horário estendido ou não é estimulada ou não é entendida. No sábado à tarde, por exemplo, só a recém-inaugurada livraria Shazam estava aberta. E havia clientes. Pensem! Revejam horários, criem alternativas, tenham atitudes!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Vento

Hoje o vento 
tá rabugento, tá nojento... 
Tá fazendo "redemunho", 
andando em corrupio...
Por aqui vou mateando, 
escrevendo, soletrando...
Afinal, também sou terrunho,
redondo e meio arredio...
(João Lemes)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Para refletir

“Nem o futuro nem o presente existem. Nem se pode dizer que os tempos são três: passado, presente e futuro.Talvez fosse melhor dizer que são: o presente do passado; o presente do presente; o presente do futuro. O presente do passado é a memória, o presente do presente é a percepção, o presente do futuro é a expectativa.” (Santo Agostinho)

A legítima onça 'pintada"

Jaguari - Nesta semana uma empresa de Jaguari resolveu dar uma ‘de mão’ e repintar a oncinha que fica na entrada de Jaguari. Há poucas semanas, os vândalos a deixaram da cor dos dois famosos times gaúchos. Uma pessoa que age assim contra o patrimônio público é quem deveria estar lixando e pintando a obra, com destaque em rede nacional. Se tivesse vergonha, seria um biata remédio! 

Para refletir

“Errar é humano, culpar os outros é política.” (Jô Soares)
“Errar é humano, culpar os outros também.” (Millôr Fernandes)
“Errar é humano, desumano é culpar os outros.” (João Lemes)

sábado, 16 de abril de 2016

A doce senhora do estacionamento

Ontem fui deixar o carro num estacionamento pago. Na entrada vi uma senhora dedicada, simpática que até me informou onde seria o evento que eu iria, aqui em Santa Maria. Era tarde da noite e fiquei me perguntando: esse trabalho seria para homem, algum jovem, sei lá, mas uma mulher? Elogiei a mentalmente naquele instante...

Ao regressar, lá estava a mesma senhora. Indaguei o valor gasto: 10 reais. Dei-lhe uma nota de 50 e pedi desculpas por não ter troco, e por estar com muita pressa. Ela não disse nada. Apenas pegou o dinheiro e me devolveu o troco dobradinho. Saí rapidamente, porém, não me sofri e contei o troco. Faltavam 10 reais. Fiquei na dúvida: volto, não volto? Ela se enganou? Será? Mas numa conta tão simples?
Como bom cidadão, tentei fazer valer meu direito e voltei.

-Senhora, por favor! Vejo que se enganou aqui. Dei-lhe 50 e ganhei só 30 de volta!

Ela então pegou o dinheiro, conferiu, puxou mais uma de 10 e me devolveu sem dizer absolutamente nada. Nem que se enganou, nem que não, nem pediu desculpas. Que mais eu iria dizer? Agradeci apenas. Seria desnecessário dizer que me decepcionei mais uma vez com as pessoas. Pior ainda foi imaginar que essas mesmas pessoas, talvez doces senhoras como ela, ficam vendo o noticiário a criticar os corruptos, dizendo que há erros aqui e acolá. Elas têm razão: está mesmo tudo errado.



quarta-feira, 13 de abril de 2016

Para refletir

"Errar é humano, desumano é culpar os outros". (J.Lemes).

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Indiferença


A indiferença é um sentimento difícil de se fingir. Ele nos exige o máximo de atenção. Só assim conseguiremos mantê-lo a toda hora na mente.

A indiferença, se é ruim para quem sente, pior para o atingido. É o mais terrível dos punhais.

Deixar de ser lembrado, notado, abordado por alguém que estimamos corta mais que o ódio, a mágoa ou o rancor juntos.

Ser alvo da indiferença é ter a certeza do desdém, do desprezo.  É como estar morto sem saber. É se evaporar de repente e seguir na terra. É um "não existir" tenebroso.

A diferença faz nossa mente implorar por uma briga, por um ataque seja qual for... Qualquer coisa é melhor que o silêncio e a ignorância vindos da indiferença.

O berço da indiferença é mágoa e seu fim só pode ser a reconciliação.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Dever cumprido

A cada dia, uma missão, uma tarefa nova, uma nova realização. Como dizia o pensador Ralph Waldo Emerson, “A recompensa por uma coisa bem feita é a de tê-la feito.” E, cá pra nós, nada é tão gratificante quanto a certeza do dever cumprido. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Férias de quem?

Esta palavra nunca esteve tão em alta: férias. Ricos, remediados ou pobres, todos dão um jeito de dar uma fugida. O engraçado é que as diferenças nas férias de uns e de outros (dentro dessas classes) são conhecidas. Os mais pobres costumam dizer: “Não aguento mais este trabalho. Quero um mês inteiro de férias. Se bem que eu merecia até mais”...

O remediado diz que vai sair por quasse um mês, que volta logo por causa dos negócios, afinal, hoje ele é um quase “bem de vida”. Tem que curtir as férias, mas não deixa de dizer que pensa na empresa, no trabalho que é de onde tirou tudo o que tem...
O rico fala sempre a mesma coisa. Diz que vai se desligar, mas na verdade é o que mais pensa na empresa, no trabalho... só não revela isso na cara dura, limitando-se apenas a dizer “Vou tirar só uns dias”...

Todos querem viajar, apenas o rico vai longe. O remediado arrisca sair do Estado e o pobre até viaja (ele faz economia pra isso e talvez seja o que mais se alegre com esse “sonho”), entretanto, ele vai bem pertinho de sua cidade ou até na casa daquele parente que não viajou... Mas isso também é férias!, ora...

Lições para 2016 e para toda a vida

(por João Lemes)

Toda notícia ruim voa, diz o adágio. Então, hoje vamos rever notícias boas, lições para 2016 e para a vida toda. Entremos o novo ano com alegria e paz no coração. Vamos rever o que dizem alguns outdoors do Citibank em São Paulo.

Por que as semanas demoram e os anos passam rapidinho?; Trabalhe, mas não esqueça: vírgulas são pausas; Não deixe que o trabalho da mesa tape a vista da janela; Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma a quem você ama; Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas; Quantas reuniões foram mesmo nesta semana? Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, para tomar um sorvete; Você pode dar uma festa sem dinheiro, mas não sem amigos.

Crie filhos em vez de herdeiros; Precisamos deixar filhos melhores para o mundo e não um mundo melhor para nossos filhos; Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço. Agora, quem sabe assim você seja promovido a melhor amigo, pai, mãe, filho, filha, namorada, namorado, marido, esposa, irmão, irmã... do mundo!.

Guarde essas óbvias mensagens e repasse aos familiares, amigos e viva feliz em 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021...

sábado, 2 de abril de 2016

Futebol, 'paixão' nacional?

Os times são fábricas de arrecadação. Nasce um filho e o pai já o aliena com o símbolo e, no entanto, tudo vai pros jogadores que não ligam pro torcedor e pra quem lhes paga.

A nossa seleção, por exemplo; entra técnico, sai técnico e seguimos perdendo. E aí vem a pergunta: perdendo o quê?  

Por isso que desisti, acordei, e hoje só torço por time da minha cidade. Parece estranho para alguns, mas sigo gostando do espetáculo chamado jogo, mas sem passionalismos.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dia de visita no Expresso

O prefeito Horácio Brasil e parte de sua equipe vieram ao jornal entregar uma cesta com produtos coloniais, uma boa mostra do que se produz em São Chico. Na foto, o prefeito com o jornalista João Lemes.
Jeito Caseiro - O selo Jeito Caseiro tem feito sucesso. Os produtores estão com uma boa área para exposição e também vendem para a prefeitura usar na merenda escolar. Tudo mais saudável e mais rentável. São riquezas da nossa São Chico.