sábado, 22 de abril de 2017

Comunicação é isso

(João Lemes)
Há quase 30 anos atuo na comunicação e se há uma coisa que aprendi, foram as linguagens populares, do que o povo gosta e quer ouvir e ler. Um termo novo, por exemplo, pode levar muito tempo para ser embutido no vocabulário popular. Já outros não se encaixam nunca, principalmente as invenções dos governos para um tal de palavreado "politicamente correto".

Exemplos:
Não importam quantas vezes se diga que o prefeito é um "gestor". Para a grande massa, ele sempre será prefeito;

Não adianta dizer "a União" em vez de governo federal. No geral ninguém vai dar ouvido;
Chamar casa popular de "unidade habitacional" é dar nó em pingo d'água. Todos dirão casas ou "casinhas" - mais comum ainda;

Poderemos gastar a língua dizendo "complexo poliesportivo Aureliano de Figueiredo Pinto" que todos, até os mais "sabidos" vão pronuncia simplesmente "ginasião";

Não adianta dizer que no mercado há “gêneros alimentícios” se todos dizem “comida”, “alimento”, “compras” e até “sortimento” ou “rancho”.

Falar que o governo vai enviar um “recurso” chega ao povo como dinheiro. Ou você diz ao amigo, “vou ao banco retirar um “recurso”?;

Chamar a pessoa com deficiência de “portador de necessidade especial”, nem pensar!;

Outra coisa ridícula é mudar o linguajar universal do esporte para algo mais sofisticado com exercícios eruditos;

Ficamos com estes exemplos por hoje e lembramos que um palavreado bonito é aquele que todos entendam e que seja o mais direto possível. Ninguém mais tem tempo para enrolação.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Felicidade nada mais é que uma prática

Hoje é o “Dia da Felicidade”, por isso, convém lembrar que ao longo dos anos muitos estudiosos se debruçam nesse tema. Alguns arriscam dizer que o dinheiro vindo de forma honesta ajuda muito a sermos felizes. Mas e o que dizer dos donos de carreiras brilhantes que sofrem depressão? O que dizer de pessoas com muito mais posses que você, com empregos melhores e que vivem reclamando?

Mergulhando no tempo, vemos que o grego Aristóteles ensinava assim: “A felicidade é uma prática.” E lendo o escritor britânico Will Storr, autor de vários livros sobre o assunto, entendi que a felicidade não é um sentimento ou promessa duradoura. Esse escritor também concorda com o filósofo Aristóteles; a felicidade é, sim, uma prática, como quase tudo na vida.

O escritor vai além e dá dicas dessa prática e diz que o maior inimigo da felicidade é o estresse. É ele quem faz a troca de uma vida longa por uma curta e aparentemente feliz. Corremos tanto atrás dos objetivos e, ao alcançá-los, já não temos mais saúde para desfrutar da conquista.

Então, é bom recorrer ao que diz Will Storr. Devemos viver de um modo que cumpra o nosso propósito e parar de esperar a felicidade para amanhã. Ser feliz é traçar metas e se comprometer com o processo que leva até ela. A alegria deve vir a cada etapa vencida ou até de uma derrota que nos mostre o melhor caminho e que nos faça mais fortes.

Quer ser feliz? Comece agora a praticar. No final de cada dia verás que a felicidade só depende de você, de como você encara as coisas e de como avalia sua vida.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Uma vergonha para os homens!

(por João Lemes)
Minha mãe casou-se com 14 anos para escapar da lida braba da lavoura e da mão pesada dos irmãos. Aí, trocou tudo pelo meu pai, que dado ao estilo antigo, a colocou sabe onde? Na lavoura ou na nossa velha serraria (foto). Assim, ela criou oito filhos abaixo de trabalho braçal.

Lá na minha Coronel Bicaco não havia nem hospital. Os partos eram todos em casa. Quando o bebê já estava mais taludo, lá se ia a mãe pra lavoura. Deixava a criança numa sombra e dê-lhe trabalho.

Minha família (eu estou no colo)
Nos meses seguintes, os irmãos tomavam conta dos menores porque a mãe de novo estava de barriga cheia com outro irmão. Meu pai, por ser religioso, não permitia método contraceptivo (o diu já existia). Na visão do pai, isso era contra Deus.

Tudo o que minha mãe passou com meu pai não foi muito se compararmos a vida sem ele após seus 38 anos. Aí sim ela se viu sozinha no mundo e teve que doar os filhos. Mas graças às pessoas que nos criaram, todos hoje têm família e são honrados.

Essa é uma pequena história igual a muitas outras. E tem umas bem piores. Sei de muitas mães que apanharam a vida toda e ainda apanham, às vezes, até dos filhos ou netos. Algumas não apanham, mas sofrem de violência moral, que é terrível também. Lamentável!

Vergonha para os homens
A mulher conseguiu algumas conquistas nos últimos 100 anos, é verdade, porém é coisa muito pouca porque o machismo, a discriminação e a opressão seguem fazendo parte da cultura humana.

Conforme pesquisa do Datafolha, uma a cada 3 mulheres brasileiras de 16 anos ou mais foi esbofeteada, chutada, esfaqueada ou morta nos últimos 12 meses. Isso sim é uma vergonha para os homens!



Durante séculos as mulheres serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural. (Virginia Woolf).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A idade do homem

(adaptado por João Lemes)

Ao me dar conta de que o número de moradores do planeta já passa dos sete bilhões, me veio à mente uma velha fábula sobre a criação do mundo, quando Deus chamou o homem e disse:
 - Você será minha imagem. Terá todos os dotes. Será o rei dos habitantes. Viverás 30 anos.
Chamou o burro e disse:
 - Você será o criado do homem. Carregará os pesos para ele. Viverás 30 anos.
Chamou o cão e disse:
 - Você será o guarda do homem. Viverás 30 anos.
Chamou o macaco e disse:
 - Você divertirá o homem. Colocará só alegria na sua vida. Viverás 30 anos.
  Quando Deus terminou, o homem virou-se para ele e disse:
 - Meu Deus, com todas essas vantagens, com o burro, o cão e o macaco me servindo, vou viver apenas 30 anos?
O burro também interpelou Deus:
Quê? Vou trabalhar 30 anos para o homem? Fazendo só o pesado? É muito!
O cão também disse:
 - Deus, para tomar conta do homem e defendê-lo, 30 também é muito?
E o macaco também reclamou:
 - 30 anos só divertindo o homem? Não quero!
Deus então pensou e disse:
 - Então, vou colocar 10 anos do burro, 10 do cão e 10 do macaco na vida do homem.

Resumindo: 
Assim, o burro, o cão e o macaco vivem apenas 20 anos cada. Já o homem, até os 30 anos vive a vida que Deus lhe deu. Dos 30 aos 40, entra na idade do burro. Apenas carrega fardos para sustentar a família. Dos 40 aos 50, é cachorro e guarda para que seu patrimônio não seja destruído. Dos 50 aos 60 vira macaco; só diverte os netos.
(Jornalista - Santiago -  RS)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Partida

Quando eu me for, virarei pó, assim como eu fui um dia. E partirei feliz por ter cumprido minha missão. Será como foi antes de eu ser gerado, o nada, uma vida a menos. De mim só restarão as ações erradas, desacertos... A mim restará a plena consciência de que tentei mais fazer o bem do que o mal. Esse é meu conforto. (João Lemes)